PONDERANDO

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Seiscentésima #600

Durante os últimos 12 anos – semanalmente – apreciações, análises, avaliações tem sido aqui externadas na tentativa de levar aos leitores ponderações sobre temas do momento, igualmente espelhados no blog Ponderando, que tem como filosofia “acreditar na magia da palavra escrita como elo de aproximação entre pessoas que comungam de um mesmo pensamento e fonte de oportunidades para reflexão de outras tantas que assim não pensam.”

Trata-se, portanto, de uma avenida de duas mãos. Consciente ou inconscientemente somos todos influenciados pela leitura. A palavra escrita tem o poder de formar opiniões – ou deformar informações – nos tornar críticos e reflexivos, com alcance profundo no direcionamento de nossas vidas.

 Uma palavra mal verbalizada pode ser apagada pelo tempo. A escrita, jamais! Não por outra razão a responsabilidade que recai sobre quem escreve não pode nem deve ser minimizada. Parafraseando Saint-Exupèry, em seu “O Pequeno Príncipe”: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que… escreves”. Consciente ou inconscientemente somos todos influenciados pela leitura.

O desenvolvimento tecnológico – incrementando velocidades e reduzindo tempos em todas as atividades – vem transformando o perfil do leitor. Publicações digitais ampliam o universo da leitura ampliando também a gama de opções em um único lugar. Portas mais largas abertas para os aficionados.

 O ato de ler não é um ato solitário. A interação entre autor e leitor é intrínseca. A procura por informação, conhecimento ou diversão cria uma cumplicidade ainda que temporária entre eles. A aprovação – ou rejeição – com exceções, permanecerá reservada. Mas, certamente, ambos permanecerão ativos ainda que, eventualmente, em condições diversas.  

 Esta coluna está comemorando sua seiscentésima edição.

Tem resistido ao tempo sem qualquer esforço ou obrigação, assim como o blog que lhe deu origem. A parceria com o JC tem sido incondicional, respeitosa, dentro dos preceitos que regem o bom jornalismo.

 A você, leitor, leitora, ao Jornal Cidade de Holambra, obrigado por fazerem parte de nossa história.      

 e-mail – radeathayde@ponderando.com.br

 

 

Brasil em Chamas #599

O ocupante do Palácio da Alvorada, em Brasília, afirmou que a pressão internacional por medidas para conter o aquecimento global seria um “jogo comercial”. Comentário feito durante a Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP-25, realizada em Madri (2019). E mais: “Essa história de que a Amazônia arde em fogo é uma mentira”, disse o presidente em discurso durante encontro com outros mandatários da América do Sul para discutir a preservação do meio ambiente.

Faz coro com o também ocupante da Casa Branca, em Washington, D.C que retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, acordo histórico das Nações Unidas contra o aquecimento global (celebrado por 195 países, em dezembro de 2015), alegando entre outras que as mudanças climáticas eram uma farsa inventada pela China para prejudicar a indústria americana…

Jogando para suas torcidas, ambos os ocupantes tem olhar fixo no futuro. Um com jogo marcado para novembro próximo e o outro para outubro de 2022. Mas para ambos a ambição política supera quaisquer outros interesses: inclusive o da preservação da saúde de seus compatriotas.

No Brasil, números alarmantes fornecidos pelo INPE registram 133.974 focos de incêndio acumulados em todo país entre 1º de janeiro e 14 de setembro, um aumento de 13% em relação ao ano passado; só na Amazônia são 64.498 focos de pontos de queimadas.

Não bastasse, um incêndio está queimando desde meados de julho no Pantanal, deixando rastro enorme de destruição em uma área maior do que a cidade de Nova York, um recorde de 23.490 quilômetros quadrados queimados até 6 de setembro.

O morticínio de espécies da flora e fauna – muitas em extinção – causado pela devastação de incendiários que atingem também a saúde da espécie humana parece não sensibilizar os (ir)responsáveis por políticas públicas responsáveis.  

São homens cegados pelo poder, obsessivos, desprovidos de sentimentos por animais, natureza e – por que não? –  por seus semelhantes, capazes de iludir a boa-fé de seus concidadãos, com falácias e hipocrisias.

A definição de homo sapiens como homem sábio, ser humano, ser pessoa, certamente não se aplica a esse tipo de gente abjeta.

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email: radeathayde@ponderando.com.br

Homenagem à Vida #598

A história, verídica, passou-se durante a segunda guerra mundial.

Um bombardeiro B-17 da Força Aérea dos Estados Unidos, em zona de término de combate, com um artilheiro morto e outros seis tripulantes feridos a bordo, além de dois motores destruídos, escapa em direção à sua base quando se emparelha com ele, asa com asa, um caça, mas com a suástica pintada na fuselagem.

Os pilotos trocam olhares fixos. O piloto alemão faz um gesto com a mão sugerindo ao piloto americano que prosseguisse em seu caminho batendo continência, no que foi correspondido da mesma forma. A seguir, dá meia volta enquanto o americano continuou em seu retorno à salvação.

Guerras, como pandemias, sempre tem princípio e fim. Talvez, na cabeça de ambos os pilotos, após o gesto de respeito pelo outro, tenha lhes passado a visão de que terminado o conflito bem poderiam, por obra do destino – caso sobrevivessem – encontrar-se por acaso na Hofbräuhaus, mais famosa choperia de Munique ou visitando o Metropolitan Museum em Nova York.

Não menos conscientes de que – como militares treinados e cumprindo ordens – mataram muita gente do outro lado. Mas naquele momento único falara mais alto o ser humano, o respeito pelo outro que como ele deixara em casa uma família à espera de sua volta.

Pandemias, como guerras, tem sempre princípio e fim. Não há quem não seja afetado direta ou indiretamente por elas. Inúmeros os que sofrem perdas irreparáveis causadas por desvarios de homens encastelados no poder que em sua ambição desmedida se julgam acima do bem e do mal.

A história do “day after” vem se repetindo através da história e por isso, de tempos em tempos e por triviais razões – poder, ambição, fanatismo – a temperatura sobe, levando homens insensatos a fazerem a cabeça de milhares, milhões de pessoas, induzidas por máquinas de convencimento emocional quando não por ideias fratricidas, genocidas, racistas.

Passados os vendavais, a tormenta, os que se odiavam novamente se dão as mãos, sempre diante de novos tempos, por falta de opção ou interesses em curso.

E parodiando o gênio que foi, Charles Chaplin: “Se matamos uma pessoa somos assassinos. Se matamos milhões de homens, celebram-nos como heróis.”

Minha homenagem aos pilotos dessa história! E à preservação da Vida!

email – radeathayde@ponderando.com.br

Aglomerações: gatilho de efeito retardado? #597

Difícil, ainda sob a tutela da pandemia da covid-19, fugir de temas a ela relacionados principalmente se você estiver confinado em casa e ser enquadrado na categoria alto risco. Não são poucos os que se encontram nessa situação, mas muitos, inúmeros, os que estão nem aí. Aglomerados em praias, bares e baladas, por ignorância ou incompreensão, mas não por desinformação, esses milhares de indivíduos espalhados por todo o país podem estar se transformando em armas letais de efeito retardado. Ou suicidas em potencial!

Muito tem se discutido e lido sobre este tipo de comportamento. Mas parece que uma força maior que a do bom senso ou, pelo menos, a de respeitar a dúvida, prevalece principalmente entre os mais jovens, aqueles que se julgam eternos e a prova de tudo. 

Afinal, em algum momento, devem ter se dado ao trabalho de fazer uma continha e concluíram que, se são 26 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo (população 7,5 bilhões) a proporção de óbitos em relação a população do planeta é de 0,033. Ora, no Brasil essa proporção (óbitos/infectados) é de 0,031 na data de hoje (31/8), bem próxima da mundial. Então?

Então a conclusão que se poderia tirar desse raciocínio é que as circunstâncias por aqui não parecem ser mais graves que no resto do mundo, apesar de na Europa a situação ter ficado mais alarmante durante muito tempo e as condições, por lá, de prevenção severas e controladas por um longo período.

Ora, dir-se-ia então que a flexibilização indiscriminada, independente, autorizada pelas autoridades municipal ou estadual, aqui, estaria “compatível” com as regras duras estabelecidas em outros países, haja vista os resultados alcançados até o momento…

Como autoridades sanitárias, governos e cientistas ainda estão aprendendo sobre o comportamento do vírus, somos obrigados a conviver com os que arriscam suas vidas – e as de seus semelhantes, “por tabela” -, dando um exemplo descompromissado com o desconhecido.

Mas um dia, passado esse episódio – que está transformando o comportamento de todos nós, seja na forma de se relacionar, de educar, de conduzir os negócios, na valorização da vida – terá seu peso avaliado pelos sobreviventes.

Eis que a vida sempre segue seu curso!

E a pergunta que deveríamos ter em mente no momento, sem qualquer discurso, é como pensamos a vida e como trata-la: a própria e a dos semelhantes.

Aqueles seres muito simples e pequenos, formados basicamente por uma cápsula proteica envolvendo o material genético, que chamamos de vírus, ainda “dão um baile” nos seres ditos inteligentes: nós!

Portanto, cuide-se!

email radeathayde@ponderando.com.br

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Saia do seu Casulo #596

Com milhões de telespectadores em todo o mundo assistindo à final do jogo de futebol do ano – “Champions League“ – entre Bayern de Munique (Alemanha) e o badalado clube francês PSG, encerramos mais uma semana, com a população enfrentando os efeitos da pandemia, cada segmento da sociedade enfrentando-a a seu ver ou crer, a vida política transgredindo um mínimo de ética, as falácias midiáticas iludindo os mais despreparados em uma guerra sem fim.

Entrar no mérito de qualquer uma dessas questões leva a interpretações estéreis, passiveis de contestações, não contribuindo em absolutamente nada para desopilar o fígado dos mal humorados nem alegrar mais a vida daqueles que com ela estão de bem.

Não tenho ideia do número de brasileiros confinados em casa respeitando a orientação das autoridades sanitárias. Qualquer que seja ele, a vida dessas pessoas não tem sido fácil, especialmente aquelas com crianças – sempre irrequietas – e idosos muitas vezes distantes de seus familiares.

A vida de cada um de nós nunca foi – nem é – uma planície. Mas em momentos como os que estamos a enfrentar é inevitável que tenhamos todos, creio que sem exceção, “conversado com nossos botões” questionado certezas e incertezas, revisado posicionamentos – até secretos – e, quem sabe, dando um novo rumo em suas vidas.

Aliás, a julgar-se pelas notícias otimistas, são inúmeros os casos de pessoas que se reinventaram partindo para atividades díspares das habituais mudando o viés da perspectiva. Talvez seja por isso que em algumas situações análogas tenha surgido o ditado “a necessidade é mãe da invenção “.

Quero crer que, para muitos, portas se abriram motivando desalentados a “partir para a briga” em uma contaminação saudável.  Afinal não seria absurdo lembrar o que todos sabemos, – mas insistimos em, compreensivamente, mascarar – olvidando que a vida é hoje, o amanhã é incerto, a idade não é privilégio nem tão pouco obstáculo.

A saúde é primordial e a covid-19 mais um desafio a enfrentar entre tantos que assolam a humanidade. Assim, cuide-se!

E se puder, fique em casa, mas saia do seu casulo.

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e-mail radeathayde@ponderando.com.br

A Palavra é Sua #595

Vivemos em uma sociedade abrigada debaixo do guarda-chuva democrático. A cada dois anos, regido pelo sistema em vigor, a população é lembrada que deve votar- seja para eleições majoritárias ou proporcionais. Obrigado a votar, o eleitor é penalizado se não se apresentar às urnas para cumprir com seu “dever cívico”. Se existe a obrigação de votar, o sistema se autodenuncia por inexistir liberdade de opção em exercer o direito, ou não!

O Brasil permanece, como nação, uma colcha de retalhos coloridos. Desnecessário entrar em detalhes cansativos das razões, por demais conhecidas.

Desde a Proclamação da República, nos idos de 1889, mediante um golpe de Estado político-militar e tendo como primeiro mandatário o Marechal Deodoro da Fonseca, a colcha vem sendo tramada, remendada, por sucessivos herdeiros políticos.  

E apesar de sermos o quarto maior país em extensão territorial do planeta, depois de Rússia, Canadá e China, é o único considerado do terceiro mundo, eufemisticamente, “em desenvolvimento” …

Triste sermos o segundo maior exportador mundial de alimentos e não conseguirmos alimentar toda a população saudavelmente. Ser o segundo maior produtor de minério de ferro do planeta, o terceiro maior produtor mundial de manganês e aquele que concentra 98% das reservas conhecidas de nióbio no mundo (usado em cápsulas espaciais, reatores nucleares, semicondutores). E permanecermos pobres.

Paradoxalmente, Universidades brasileiras reconhecidas – muitas internacionalmente – tem produzido mentes brilhantes, homens e mulheres capacitadas academicamente, seja nas artes, na cultura, na ciência. Mas a história parece demonstrar que para acordar este gigante – deitado eternamente em berço esplêndido – é preciso mais que educação de nível superior.

A riqueza de nosso solo e biomas não parecem ser suficientes para bancar a “revolução na educação” eis que carecemos de educação de base de qualidade, alicerce da formação de escol, tema espinhoso sempre relegado a segundo plano por governos seguidamente.

Já são 131 anos desde a libertação do país do jugo colonial. Mas ainda permanecemos sob o jugo da ausência do Estado na Educação, da insalubridade que afeta metade da população, da impunidade servil aos poderosos.

Se é verdade, segundo Pero Vaz de Caminha, que no Brasil em se plantando tudo dá, então é chegada a hora de plantar a Educação de alto nível no país. Sementes de qualidade não nos faltam. Nem produtores.  

Falta-nos, então, o que? A palavra é sua!

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Cisão entre Moral e Política “Os fins justificam os meios” (Nicolau Maquiavel) #594

A pandemia vem mexendo com todo mundo em maior ou menor grau. Tem-se tempo para pensar mais profundamente sobre os fatos da vida, sopesar verdades que se tornam menos absolutas.

Com algumas décadas de estrada, vejo um Brasil que aos trancos e barrancos vem progredindo nos últimos 100 anos – a passos de cágado é verdade – em setores como educação, direitos fundamentais, consolidação de instituições republicanas para o aperfeiçoamento da democracia.

Mas percebo alterações radicais no perfil do cidadão (cidadã) brasileiro. Será que o povo cordial, afável, alegre, amante do carnaval irreverente, apaixonado pelo futebol moleque, irmanado em momentos de tragédias como enchentes e deslizamentos de terra, dividindo o pouco que tem com quem nada tem, poderá estar mudando?

Seria consequência de radicalismos que vem – crescentemente – tomando conta de ações do governo federal via exemplos verbais e posturais confundindo a população, demonstrando uma insensibilidade insana em manifestações diárias? Seria porque aquele que deveria dar o exemplo como condutor dos destinos do país e sua gente se omite – deixando o destino da Saúde por conta de um general de brigada do Exército Brasileiro, da ativa, a recuperação da Economia por conta do “Guedes”, a defesa dos interesses nacionais junto ao Congresso Nacional delegada a terceiros?

E o brasileiro sofredor, permanecendo impotente no meio de uma guerra de versões sobre sua saúde dentro uma população que já perdeu mais de 100 mil de seus irmãos às sepulturas, inúmeras em covas rasas?

Não sei se nos encontramos em estado de letargia assistindo a tudo no melhor estilo “Nero na Roma antiga” ou à instituição lenta e gradual de uma nova República em perseguição, talvez, à ruptura – o que quer isso signifique – referida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, poucos meses atrás, quando indagado se ela poderia vir a existir. Como resposta: “se, não, quando”!

A beleza da democracia é que ela permite a qualquer cidadão pensar e agir com liberdade, de acordo com a sua consciência. Não em todos os lugares do planeta, é verdade, onde até os dias de hoje ainda impera uma espécie de Absolutismo – sistema político que defendia o poder absoluto do monarca sobre o Estado e que durou três séculos até o XIX.  

E em pleno século XXI a obstinação do homem pelo poder absoluto permanece viva. Lembrando-se o que Nicolau Maquiavel – historiador e filósofo político (1469-1527) defendeu, em sua obra o Príncipe, nos idos do século XVI: a cisão entre Moral e Política.

Qualquer semelhança com os dias de hoje é mera coincidência.

A Verdade é Nua e Crua? #593

O assunto não morre, quem morre são as vítimas da covid-19 que hoje (3/9) já somam mais de 94 mil no Brasil.

Enquanto navegamos dentro desse furacão o candidato a presidente da República, em 2022, cavalga pelo Nordeste sem máscara, provocando aglomerações, contrariando orientações da OMS, como se não fora o país considerado – pela mesma instituição – como um dos três mais perigosos para o restante do mundo, representando uma ameaça aos países que, hoje, conseguiram um certo controle do vírus. Restante do mundo!

Em flagrante campanha eleitoral antecipada, o inquilino do Palácio do Planalto abstém-se de liderar o combate à pandemia negando sua letalidade e louvando medicamento descartado pela comunidade científica como sendo ineficiente no combate ao vírus.

Talvez por não outra razão, o cientista suíço e colaborador da OMS (Organização Mundial da Saúde), Didier Pittet, considerado como um dos principais epidemiologistas na Europa, declarou que a resposta do governo brasileiro diante da pandemia deve ser alvo de um inquérito ou de uma avaliação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que não haverá solução mágica contra a Covid-19 no Brasil, que o país precisará percorrer um “longo caminho” para sair da crise e sugere que as autoridades no país repensem suas estratégias se quiserem superar a pandemia. “Chegou o momento de alguns governos “darem um passo para atrás agora” e avaliar se de fato estão fazendo tudo o que podem, politicamente, economicamente, e em termos de saúde para suprimir o vírus”

“O mundo nunca viu algo assim desde 1918 e o impacto será sentido por décadas. Mas o seu controle está em nossas mãos” alerta a OMS.  A agência voltou a solicitar que governos atuem em todas as frentes, com testes, isolamento, distância, uso de máscaras e higiene, além de ampliação dos investimentos no setor de saúde. A ordem é a de não aguardar pela vacina.

Com tristeza e apreensão assisto, impotente, diariamente, às cenas de descaso do governo pelo desespero e desalento de famílias enlutadas. Na contramão de tudo que já aprendemos sobre a covid-19, a negação da gravidade ora enfrentada. No exemplo demagógico, uma frieza perturbadora diante da realidade.    

Mas, então, se assim for, o que não consigo vislumbrar?

Será que nos encontramos diante de uma conspiração mundial para descrédito da ciência – apesar de grupos de cientistas, aparentemente idôneos, terem visão distinta da realidade ora sendo enfrentada? Se sim, por que? Com que interesse? Orquestrado por quem ou quais grupos?

Se não, a realidade que se apresenta é, dolorosamente, dramática. Beira a criminalidade.

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Quanto vale um ser humano?

Já nos rendemos à verdade de que apenas uma vacina comprovadamente eficaz pode reverter o quadro devastador que a covid-19 vem causando no mundo: mais de 16 milhões de pessoas infectadas e 657 mil passamentos (28/7). Nessa guerra, a OMS – Organização Mundial de Saúde – lista 133 estudos de vacinas contra a pandemia, inclusive quatro no Brasil. Continue reading

A QUEM INTERESSAR POSSA

Os embates conflitantes visando o enfrentamento da covid-19 permanecem intensos desde o início da pandemia, há quatro meses no país. Do negacionismo à existência da manifestação da doença infectocontagiosa até às condições de como combatê-la, o clima sendo enfrentado pela população é de dúvidas e incertezas.

Autoridades sanitárias – como a Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde e a SBI Sociedade Brasileira de Infectologia – debatem e discutem, diuturnamente, sobre como tratar as diversas fases da doença. Continue reading

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