Cisão entre Moral e Política “Os fins justificam os meios” (Nicolau Maquiavel)

A pandemia vem mexendo com todo mundo em maior ou menor grau. Tem-se tempo para pensar mais profundamente sobre os fatos da vida, sopesar verdades que se tornam menos absolutas.

Com algumas décadas de estrada, vejo um Brasil que aos trancos e barrancos vem progredindo nos últimos 100 anos – a passos de cágado é verdade – em setores como educação, direitos fundamentais, consolidação de instituições republicanas para o aperfeiçoamento da democracia.

Mas percebo alterações radicais no perfil do cidadão (cidadã) brasileiro. Será que o povo cordial, afável, alegre, amante do carnaval irreverente, apaixonado pelo futebol moleque, irmanado em momentos de tragédias como enchentes e deslizamentos de terra, dividindo o pouco que tem com quem nada tem, poderá estar mudando?

Seria consequência de radicalismos que vem – crescentemente – tomando conta de ações do governo federal via exemplos verbais e posturais confundindo a população, demonstrando uma insensibilidade insana em manifestações diárias? Seria porque aquele que deveria dar o exemplo como condutor dos destinos do país e sua gente se omite – deixando o destino da Saúde por conta de um general de brigada do Exército Brasileiro, da ativa, a recuperação da Economia por conta do “Guedes”, a defesa dos interesses nacionais junto ao Congresso Nacional delegada a terceiros?

E o brasileiro sofredor, permanecendo impotente no meio de uma guerra de versões sobre sua saúde dentro uma população que já perdeu mais de 100 mil de seus irmãos às sepulturas, inúmeras em covas rasas?

Não sei se nos encontramos em estado de letargia assistindo a tudo no melhor estilo “Nero na Roma antiga” ou à instituição lenta e gradual de uma nova República em perseguição, talvez, à ruptura – o que quer isso signifique – referida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, poucos meses atrás, quando indagado se ela poderia vir a existir. Como resposta: “se, não, quando”!

A beleza da democracia é que ela permite a qualquer cidadão pensar e agir com liberdade, de acordo com a sua consciência. Não em todos os lugares do planeta, é verdade, onde até os dias de hoje ainda impera uma espécie de Absolutismo – sistema político que defendia o poder absoluto do monarca sobre o Estado e que durou três séculos até o XIX.  

E em pleno século XXI a obstinação do homem pelo poder absoluto permanece viva. Lembrando-se o que Nicolau Maquiavel – historiador e filósofo político (1469-1527) defendeu, em sua obra o Príncipe, nos idos do século XVI: a cisão entre Moral e Política.

Qualquer semelhança com os dias de hoje é mera coincidência.

A Verdade é Nua e Crua? > Crônica 593

O assunto não morre, quem morre são as vítimas da covid-19 que hoje (3/9) já somam mais de 94 mil no Brasil.

Enquanto navegamos dentro desse furacão o candidato a presidente da República, em 2022, cavalga pelo Nordeste sem máscara, provocando aglomerações, contrariando orientações da OMS, como se não fora o país considerado – pela mesma instituição – como um dos três mais perigosos para o restante do mundo, representando uma ameaça aos países que, hoje, conseguiram um certo controle do vírus. Restante do mundo!

Em flagrante campanha eleitoral antecipada, o inquilino do Palácio do Planalto abstém-se de liderar o combate à pandemia negando sua letalidade e louvando medicamento descartado pela comunidade científica como sendo ineficiente no combate ao vírus.

Talvez por não outra razão, o cientista suíço e colaborador da OMS (Organização Mundial da Saúde), Didier Pittet, considerado como um dos principais epidemiologistas na Europa, declarou que a resposta do governo brasileiro diante da pandemia deve ser alvo de um inquérito ou de uma avaliação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que não haverá solução mágica contra a Covid-19 no Brasil, que o país precisará percorrer um “longo caminho” para sair da crise e sugere que as autoridades no país repensem suas estratégias se quiserem superar a pandemia. “Chegou o momento de alguns governos “darem um passo para atrás agora” e avaliar se de fato estão fazendo tudo o que podem, politicamente, economicamente, e em termos de saúde para suprimir o vírus”

“O mundo nunca viu algo assim desde 1918 e o impacto será sentido por décadas. Mas o seu controle está em nossas mãos” alerta a OMS.  A agência voltou a solicitar que governos atuem em todas as frentes, com testes, isolamento, distância, uso de máscaras e higiene, além de ampliação dos investimentos no setor de saúde. A ordem é a de não aguardar pela vacina.

Com tristeza e apreensão assisto, impotente, diariamente, às cenas de descaso do governo pelo desespero e desalento de famílias enlutadas. Na contramão de tudo que já aprendemos sobre a covid-19, a negação da gravidade ora enfrentada. No exemplo demagógico, uma frieza perturbadora diante da realidade.    

Mas, então, se assim for, o que não consigo vislumbrar?

Será que nos encontramos diante de uma conspiração mundial para descrédito da ciência – apesar de grupos de cientistas, aparentemente idôneos, terem visão distinta da realidade ora sendo enfrentada? Se sim, por que? Com que interesse? Orquestrado por quem ou quais grupos?

Se não, a realidade que se apresenta é, dolorosamente, dramática. Beira a criminalidade.

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Quanto vale um ser humano?

Já nos rendemos à verdade de que apenas uma vacina comprovadamente eficaz pode reverter o quadro devastador que a covid-19 vem causando no mundo: mais de 16 milhões de pessoas infectadas e 657 mil passamentos (28/7). Nessa guerra, a OMS – Organização Mundial de Saúde – lista 133 estudos de vacinas contra a pandemia, inclusive quatro no Brasil. Continue reading

A QUEM INTERESSAR POSSA

Os embates conflitantes visando o enfrentamento da covid-19 permanecem intensos desde o início da pandemia, há quatro meses no país. Do negacionismo à existência da manifestação da doença infectocontagiosa até às condições de como combatê-la, o clima sendo enfrentado pela população é de dúvidas e incertezas.

Autoridades sanitárias – como a Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde e a SBI Sociedade Brasileira de Infectologia – debatem e discutem, diuturnamente, sobre como tratar as diversas fases da doença. Continue reading

A esperança está no Arroio dos Ratos

Mergulhado em confinamento e isolamento social, mas acompanhando a contragosto conflitos de interpretação e interesses sombrios sobre os (des)caminhos da covid-19, aproveito para fazer uma aposta com você. Vale uma garrafa de água mineral, sem gás, que desconhece a notícia que segue.

Isadora Stefanhak Costa Arantes, de 17 anos, aluna do 3º ano do Colégio Cenecista Santa Bárbara, em Arroio dos Ratos (RS), foi premiada com a participação em um curso de imersão no universo da astronomia, nos Estados Unidos, que inclui até treinamento para astronautas. E mais: incluída no processo seletivo do programa desenvolvido pela Advanced Space Academy [Academia Espacial Avançada] destinado a jovens de até 18 anos, Isadora apresentou um projeto, bem sucedido, de combustível para mini foguetes em garrafas pet.” Touché!

Como é sabido e notório, notícias que não causam polêmica ou criam clima de conflitos não saciam a fome de uma imprensa que precisa vender para se sustentar na guerra pela audiência, leia-se anúncios e patrocínios.

Com tanta miséria exposta pelas mídias internacional e local, nossos neurônios são retroalimentados, diuturnamente, por agentes poluidores classificados como notícias. Nesses tempos de incertezas quanto ao futuro que se desenha cada vez mais distante, carecemos de informações positivas e otimistas que nos ajudem a desobstruir o fígado (segundo maior órgão humano depois da pele). Sobrecarregado, acredite, sofre com agressões agudas por, inclusive, emoções causando graves danos à saúde física e emocional.

Segundo a Medicina Chinesa, a emoção que mais afeta e prejudica o fígado é o sentimento de irritação, agressividade, rancor ou frustração, motivados por aborrecimentos, injustiça ou rejeição sofridas.

Como somos seres emocionais por excelência, deixamo-nos levar pelo que os olhos veem, os ouvidos captam e o cérebro registra liberando a adrenalina que nos faz… aguentar o tranco. Por outro lado, notícias agradáveis e otimistas – como comprovado pela ciência – são capazes de impactar o funcionamento de nosso corpo de forma autônoma proporcionando o bem estar.

Assim, anonimamente, eu e meu fígado agradecemos à Isadora, lá de Arroio dos Ratos (RS), a oportunidade de – pelo exemplo – depositar mais fé em nossos jovens presentes nos recônditos deste imenso país aguardando pela oportunidade de serem revelados.

Permaneço no aguardo de mais notícias desse calibre divulgadas por quem quer que seja. O Brasil de nossos olhos e ouvidos agradece.

E eu, também, pela minha água mineral, sem gás. Estou cobrando!

Quanto vale uma Constituição?

O confinamento e distanciamento físico impostos pelo bom senso, após orientações das autoridades sanitárias para combater a covid-19 – mas desrespeitadas por quem deveria dar exemplo à parcela inculta da sociedade e liderar o processo de controle e prevenção junto à população – faz-nos refletir sobre a realidade que vivemos.

Uma questão que tenho levantado com os meus botões nestes dias é: em que país vivemos nós? O fato de termos nascidos (muitos) no Brasil – e nele morarmos – nos faz acreditar que deveríamos estar, nesta passagem por aqui, sendo submetidos a tratamentos iguais para todos.

Afinal, o país possui uma Constituição que detalha direitos e obrigações regendo a vida de todos nós. E, não menos, do Estado para conosco!

Assim, pelo Art. 3º – Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II – garantir o desenvolvimento nacional;

III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Fosse eu um “rábula” e levantaria a possibilidade de entrar junto ao Superior Tribunal Federal – STF com uma ação direta de constitucionalidade visando declarar que os governos federal e estaduais são incompetentes para fazer cumprir com o preceito estabelecido no Art 3º III  – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais contrariando, assim, a Constituição Federal. 

E as razões: 48% da população (100 milhões e 800 mil) não possuem coleta de esgoto; 35 milhões de brasileiros não tem acesso a água tratada; 13 milhões de brasileiros não sabem ler nem escrever.

A pandemia causada pela covid-19 vem desnudando o véu de uma triste realidade brasileira: seja pela ausência de uma liderança atuante à frente da saúde e da logística, seja no combate à desonestidade na aquisição de equipamentos essenciais para o combate à doença, seja na desorganizada e irresponsável flexibilização lastreada em critérios pouco ou nada ortodoxos com idas e vindas de decisões arbitrárias.      

Documentário da semana passada na TV mostrou a dolorosa realidade de nossos indígenas na Amazônia para enfrentar o surto. Ao final, frase de desalento de um ancião na sua comunidade: “nós estamos aqui há 10 mil anos e vocês, há apenas 500…” E eu complementaria: com água pura, esgoto desnecessário, tradições preservadas oralmente pelo exemplo e ensinamento.

E sem qualquer Constituição!!! Então?

Vozes que soam sensatas

A pandemia causada pelo covid-19 tem levado significativa parcela da população mundial a adotar medidas de precaução visando sua proteção e daqueles em seu entorno. O que não expressa a realidade em muitos confins do Brasil, já que o drama vivido por outros países não parece exercer qualquer influência sobre o governo federal e pessoas de diversas raízes. Continue reading

“ALL LIVES MATTER” (Todas as vidas importam)

O deplorável episódio envolvendo a morte de um homem negro – George Floyd – por um policial branco, em Minneapolis (EUA), em 25 de maio último, trouxe revolta e inconformismo mundo afora pela brutalidade e violência usadas naquela que deveria ter sido apenas uma abordagem rotineira.

Entre as mais variadas formas de contestação no país assistiu-se ao ataque e destruição de estátuas de figuras históricas em uma demonstração de raiva incontida pela população, não apenas negra, mas, também, a branca. Continue reading

Quem sobreviver, verá

Não sei se estamos à beira do abismo ou no sopé de uma montanha para assistir ao seu parto, lembrando a fábula de Esopo:

“Uma montanha, vez certa, começou a fazer um barulhão. As pessoas acharam que era porque ela ia ter um filho. Um belo dia o barulho ficou fortíssimo, a montanha tremeu toda e depois rachou num rugido de arrepiar os cabelos. De repente, do meio do pó e do barulho, apareceu…um rato”. Moral: Nem sempre grandes promessas dão resultados impressionantes.       Continue reading

Prenúncio de novas calamidades?

A sociedade assiste com olhar preocupante a presença de militares em cargos técnicos, como no Ministério da Saúde. O ministro interino, general de divisão, da ativa, considerado gestor competente por sua história – não possui qualquer vivência na área médica. É o terceiro, em curto espaço de tempo, a suceder dois conceituados médicos de currículos e históricos elogiáveis com reconhecimento internacional. Por fim, são 25 os fardados ocupando cargos antes de técnicos da área. Imagina-se um epidemiologista à frente do Ministério da Defesa? Continue reading

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