A derrocada do futebol verde e amarelo na Argentina alegrou nossos “hermanos” que deram o troco às nossas gozações menos de uma semana depois de sua desclassificação na Copa América. No caso, diante da seleção uruguaia que comemorou, na véspera, 61 anos da conquista conhecida como Maracanazo, quando venceu a do Brasil no Maracanã lotado, na final da Copa do Mundo de 1950.

A atual seleção brasileira, que já foi chamada de “canarinho” um dia, carregou um verdadeiro peso. Peso nas pernas de jogadores cansados por carregar em seus bolsos milhões de euros, fruto do trato da bola com certa maestria. Incompetentes, contudo, para – após 120 minutos de jogo – sequer marcar um golzinho contra uma seleção paraguaia sem astros, mas com muita gana e aplicação. Sobrou soberba!

O que se assistiu pela TV após o vexame, gravado em tape para a posteridade, com a perda da cobrança de quatro pênaltis consecutivos por badaladíssimos boleiros-milionários, foi uma reação sem emoções. Afinal, à exceção de apenas cinco dos 23 convocados, todos vivem na Europa em mansões, recebendo polpudos cheques em euros a cada trinta dias. Como resultado, deixaram de ganhar a classificação e alguns milhares de euros do “bicho” por uma vitória. Não vai lhes fazer falta.

Voltaram para casa confortavelmente viajando em aviões fretados, dispensados do enfrentamento das dificuldades em aeroportos atulhados de meros mortais e deixando para trás milhões de torcedores frustrados neste país de samba e futebol.

O negócio futebol extrapolou as raias da esportividade pura e simples, transformando um esporte antes praticado por devotados profissionais em espetaculares transações comerciais de vulto insonhável onde as preciosas mercadorias são alegres e riquíssimas marionetes manipuladas pelas mãos de agentes, clubes e bancos. Endeusados pelas mídias interessadas no faturamento publicitário, estes homens de origem humilde, em sua maioria, ao despontarem como promissores investimentos de retorno incalculável são negociados a peso de ouro, por cifras nunca inferiores a milhões de euros, como se peças de arte rara fossem.

A sofisticação desse negócio chegou ao ponto de jogadores de renome contarem com agentes que programam suas carreiras, assessores de imprensa, patrocinadores exclusivos, salários invejados por presidentes de multinacionais, direitos de imagem, gratificação extra por partidas e torneios ganhos, e sabe-se lá o quanto mais. Uma fábula!

Apesar de tudo isto, ficaram devendo – e muito – a milhões de torcedores. Vencimento da fatura: 2014.