O ateniense Sócrates foi um dos fundadores da atual Filosofia Ocidental, nascido em 470 a.C. Segundo historiadores, o filósofo não valorizava os prazeres dos sentidos; todavia, via a beleza entre as maiores virtudes, junto ao bom e ao justo.  Poderia ter evitado sua condenação (beber o veneno cicuta) se tivesse desistido da vida justa.

Passados 2.400 anos, estamos acompanhando de perto o calvário do nosso Sócrates, ex-jogador de futebol, um dos principais artífices da “Democracia Corinthiana” no início dos anos 80, capitão da Seleção Brasileira na Copa de 1982, craque indiscutível.

Consumidor  de bebidas alcoólicas, seu trajeto por este campo terminou por colocá-lo em situação de risco de morte devido à cirrose que corrói o seu fígado. Consciente de seu quadro e possivelmente após ter repensado a vida e seu futuro projeta, agora, trabalhar como médico que também é. Em entrevista semana passada assim se expressou: “Já comecei a estudar, vou trabalhar como hepatologista, principalmente na parte política, da divulgação, da informação, da conscientização sobre a importância dessa questão.”

Muito jovem ainda para nos deixar, este é mais um caso de gente famosa que dispondo de tudo o que deseja – fama e dinheiro principalmente –  encontra seu limite nas barras da saúde comprometida. Muitos, por não suportarem o declínio de suas carreiras ou, até mesmo, durante seu esplendor para suportar a pressão do estrelato e suas armadilhas optam por aliviá-la através do recurso milenar da bebida.

Jovens em todo o mundo bebem cada vez mais, e mais cedo, enveredando pelo alcoolismo social, não raro tendo como exemplo pais e familiares. Alcoólatras em potencial, a ficha só lhes cai quando caem na sarjeta da vergonha, pronto-socorros paliativos, psiquiatras e psicólogos; quando não partem para viagem sem volta.

A coisa mais natural do mundo são fotos de festas sempre publicadas com galeras de copos e garrafas nas mãos exibindo sorrisos e alegria contagiante. Parece que – se não houver o estímulo do inebriante – a diversão não brota. Mesmo na solidão, o combustível alimenta a sensação de saída para momentos difíceis da vida.

Não tenho sugestões a dar para a reversão dessa situação crônica no tecido social. Apenas a crença de que apenas a consciência individual pode levar alguém a discernir entre o que seu corpo e mente precisam para viver uma vida saudável desfrutando, até mais, de tudo que necessitamos.

Saúde não tem preço, dizem. Sua falta tem. E a fatura não é pequena.

Rápido restabelecimento, Magrão!