Lembro-me dos tempos de estudante de engenharia quando, para efetuar os cálculos, fazia uso de uma régua de cálculo. Para muitos, o instrumento deve ser desconhecido e pode ser considerado hoje peça de museu. Em meu escritório, juntando quinquilharias (se você não é do tempo da régua não deve conhecer este termo…) guardo nostalgicamente a minha relíquia para a posteridade.

Poucos se dão conta da impressionante velocidade com que as novas tecnologias colocadas à nossa disposição vêm alterando comportamentos e atitudes. A avalanche de novidades em celulares, tablets, TVs, GPS, i-pods, i-pads, carros, computadores, nos fazem sentir como se estivéssemos permanentemente desatualizados, fora de época. Para os que podem e sucumbem aos apelos publicitários, a reta de chegada vai, continuamente, se distanciando.

Se pararmos para pensar, meditar tranquilamente sobre o assunto, chegamos à conclusão de que estamos vivendo momentos alucinantes e de contínua insatisfação com o que já temos.

Humanamente, queremos sempre mais e o melhor. É compreensível e faz parte de nossa natureza. O apelo para adquirir parafernália de toda ordem, colocada à nossa disposição em 10 suaves prestações… sem juros, é quase irresistível. O que me leva a ponderar sobre o caminho que estamos trilhando para tentar saciar nossas necessidades materiais, que deixaram de ser  as básicas para adentrarem nas questionáveis.

A qualidade de produtos industrializados – sejam eles de vestuário, eletro-eletrônicos, veículos e afins – têm sido criteriosamente reduzida tornando sua vida útil cada vez menor. Intencionalmente. Imagina-se que a roda da economia possa girar mais rapidamente se o giro dos bens for aumentado, tornando-os obsoletos em curto espaço de tempo. Economistas argumentam que sim. A que custo?

Mas o fato é que vivemos em um clima de moto-perpétuo priorizando – não raro com certa angústia – o questionável algo mais, inatingível para muitos.

E o grande paradoxo é que neste mundo de extrema contradição, de alta tecnologia, onde tantos têm mais do que necessitam para viver uma vida digna, mais que tantos sequer têm o que comer todos os dias.

Morrer de fome é uma expressão que comumente usamos quando temos muita fome. Para milhões de seres iguais a nós e com as mesmas carências por serem atendidas, significa simplesmente… morrer.

Excesso de tecnologia. Fartura de fome!