O domingo que ficou para trás deixou marcas a muitos. Mesmo para os que não acompanham ou não gostam de futebol, o falecimento de Sócrates, ex-jogador e craque da bola, trouxe tristeza. O apego ao álcool durante boa parte de sua vida, segundo ele próprio, só lhe trouxe desventuras agora conhecidas. Após sua segunda internação por problemas derivados, ao que consta, já havia se decidido a trabalhar – como médico que também era – alertando e orientando sobre os malefícios dessa droga descriminalizada. Infelizmente não teve tempo.

A discussão em torno das mazelas advindas de bebidas alcoólicas, assim como do tabaco, é antiga e provavelmente não terá fim. Os incorporados aos vícios são jogados na rede pela hipocrisia de poderosíssimas indústrias e influentes lobistas cujo único e exclusivo objetivo é o lucro financeiro.

Os filmes das décadas de 40, 50, 60 e até mais recentemente, principalmente os americanos, sempre insistiram em cenas dos atores e atrizes glamourosamente fumando,  transmitindo a idéia do charme, sensualidade e virilidade. Tudo veladamente financiado pelas indústrias.

Lamenta-se, ou lamento eu, que até o esporte esteja contaminado pela máquina. Exemplo claro é o patrocínio de uma famosa cerveja aos jogos de futebol da UEFA na Europa. Propaganda impecável, de altíssimo nível para uma audiência de milhões de telespectadores ao redor do globo, atingindo bebedores e potenciais consumidores.

Os jovens entram no circuito etílico em uma viagem que parece sem volta. Os apelos publicitários, maquiavélicos, chegam a enviar mensagens subliminares induzindo os incautos ao vício cada vez mais cedo. A meu ver, é o caso da associação cerveja com o futebol, esporte viril e apaixonante como o praticado na UEFA.

A verdade é que não existe festa ou celebração sem copo na mão! O cigarro, antes parceiro da bebida, está restrito a ambientes definidos. Uma medida lúcida. Mesmo assim, não morre. Mata!

Ninguém ignora os danos causados à saúde pelo consumo de bebidas alcoólicas ou adesão ao hábito de fumar. Nem mesmo os que deles são dependentes. Exemplos recentes e marcantes das sinistras conseqüências impostas por essas drogas são o próprio Sócrates e o ex-presidente Lula viciados que foram ao longo da vida.

Sócrates não teve tempo de dar início à sua campanha. Lula tem a oportunidade de – com seu carisma e popularidade – enviar mensagens saudáveis à nossa população alertando-a e lembrando-a para eventuais conseqüências do hábito que o levou ao sofrimento do momento. Seria um gesto altruísta, descompromissado com o sistema, eloqüente na sua natureza.

Fica a sugestão.