O dicionário nos ensina que hierarquia é, por definição, “ordem, graduação existente numa corporação qualquer, estabelecendo relações de subordinação entre os seus membros e diferentes graus de poderes e responsabilidades”.

No meio jurídico pronunciam-se os juristas afirmando que “quem pode mais pode menos” ou, ainda, no âmbito militar, é voz corrente de “quem pode manda e quem tem juízo obedece”.

Estas colocações deixam impressas em seu bojo o sentido do “poder” enquanto domínio sobre. Aqueles que o detém, em qualquer grau, não raro sofrem da ilusão de possuírem força – ou autoridade beirando o autoritarismo – que os colocam acima dos demais mortais, qualquer que seja o âmbito de seu território.

Em reuniões de qualquer natureza, onde exista uma autoridade condutora de um processo de análise para discussão, com participantes que necessariamente não rezam pela mesma cartilha, podem ficar evidentes para os mais atentos e perspicazes manipulações impostas. Evidentes, ainda, quais os omissos descompromissados com causas, entrincheirados em seus casulos.

É próprio do ser humano querer ser o primeiro em tudo, ser considerado e avaliado como o melhor, respeitado e aclamado pela posição que ocupa vaidosamente, deixar inflar o seu ego com fatos e versões nem sempre autênticas. Os déspotas que o digam assim como os deuses com pés de barro.

A vida nos brinda com situações onde a impotência prevalece, no mínimo, ante a falta de respeito mútuo. Não são poucos os que se acham maiores escudados na segurança dos cargos que ocupam. Bater de frente com estes entes  pode resultar em contusão séria.

Mas desde que o mundo é mundo, dentro do repertório popular, a lei do mais forte prevalece. Prevalece até o momento em que valores, princípios, caráter, hombridade de uma massa crescente começam a falar mais alto sem receios, disposta a assumir algumas perdas para, ao final, contabilizar os ganhos em beneficio de toda uma coletividade.

Homens – e mulheres – sérios, que vivem de acordo com suas convicções, que não se deixam manipular, que não se vendem por duas moedas, fazem de nossa espécie a espécie diferenciada.

Vale a pena conviver com aqueles que se colocam acima da soberba de tantos que confundem autoridade com autoritarismo.

Não sou obrigado a vencer, mas tenho o dever de ser verdadeiro. Não sou obrigado a ter sucesso, mas tenho o dever de corresponder à luz que tenho.” (Abraham Lincoln)