O país encontra-se diante de uma oportunidade, única talvez, para corrigir as enormes distorções em sua carente infraestrutura viária, aérea e logística. Os próximos eventos – Copa do Mundo e Olimpíadas – estão a movimentar bilhões de reais de recursos que poderão nos colocar em patamar que faça jus ao título de sexta potência econômica mundial.

Vejo com otimismo o esforço do governo federal – apesar das pedrinhas colocadas em seu sapato por um Congresso pequeno – de tentar oferecer a cerca de 190 milhões de brasileiros uma vida mais digna. Mas vejo com preocupação, também, que modestas verbas alocadas para educação e saúde, esbarram no discurso do Planalto, quando empregos são gerados e a mão de obra qualificada não atende à demanda.  Incoerência.

Com a longevidade humana atingindo patamares inéditos, a preservação da saúde da população passa a ser tópico para ação e não mais reação. Principalmente por aqui, onde mais geladeiras, fogões  e automóveis colocados no mercado com isenções tributárias não substituem a falta de leitos em hospitais públicos, atendimento médico precário e 55.5% de municípios brasileiros desatendidos pelo serviço de saneamento básico.

Estimula-se a gastança e não a poupança. Argumenta-se que o modelo ideal – questionável – de se conceder mais crédito às pessoas que não tem como pagar por mais bens duráveis no momento estimula o crescimento industrial, a geração de empregos, seu status de vida. Meia verdade. Foi exatamente assim que os nossos irmãos do continente norte-americano derrubaram a economia mundial poucos anos atrás. Ainda cambaleante, o sistema não consegue se reerguer. E a diferença crucial é que sua moeda é impressa em casa e o quanto quiserem, deixando a conta para ser paga pelo mundo. Não por acaso sua divida pública é superior a 14 trilhões de dólares.

A crise econômica que assola boa parte do planeta não permite arroubos de posse indiscriminada por lá. Mas para os países com desenvolvimento econômico saudável, todos medidos por PIBs e outros índices, sem levar em conta a necessidade real e qualidade de vida de suas populações, a porteira está aberta. É o nosso caso.

Não há como colher sem plantar. Mas preparar o solo para a colheita exige tempo, conhecimento e investimento. Dispomos de todos, mais que ninguém. Questão apenas de ordem.

Tamanho, no caso do Brasil, é documento. Bem nutrido e saudável, pronto para ser educado, se mostrará rapidamente como um continente, mais que um país. E que país!