A crise econômica que assola boa parte da Europa e Estados Unidos desnuda a atuação de bancos – sempre eles – credores de cidadãos e governos; na hora da verdade, sacrificam o dia-a-dia de sociedades inteiras obrigando-as a pagar a conta da farra de quem, novamente, sempre pode mais.  E, curiosamente, sobram dólares, trilhões deles, derramados em países bem comportados economicamente, buscando auferir lucros indecentes para seus investidores.

Percebo movimentos em diversos segmentos que trabalham para mudar o perfil do nosso viver contemporâneo gerando expectativas de melhores e mais justas mudanças. Assim, nossa aldeia global – mais consciente de seus direitos e deveres, direito à liberdade de ir e vir e se expressar, deveres para com o próximo, próximo ou distante – me leva a acreditar em revisões abrangentes e profundas no seio de todas as sociedades do planeta.

O resultado das eleições presidenciais na França, por exemplo, pode vir a relativizar as medidas de austeridade fiscal sendo impostas a países em crise como a Grécia e Espanha, para citar apenas dois dos mais comprometidos. O presidente eleito pelos franceses, François Hollande, promete incentivar medidas de afrouxamento e não arrocho como caminho para recuperação das economias em crise. Seu discurso, no entanto, é visto com preocupação pelos demais membros da Comunidade do Euro. Mas o peso da França não é pequeno. Nem tanto por se tratar do maior país da União Européia em área, mas por se tratar de uma grande potência.

Cabe lembrar que, com forte influência econômica, cultural, militar e política a nível europeu e global, o país é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O problema, velho de guerra, consiste em saber quem, mais uma vez, pagará a conta  –  haja vista a complexidade dos interesses em jogo. De qualquer forma, Hollande só sentará em sua cadeira no Palácio do Eliseu a partir de 15 deste mês e as regras aprovadas para resolver o “imbróglio” europeu valerão a partir do inicio do próximo ano. É aguardar para conferir.

Por aqui, agimos na contramão das estratégias européias. As recentes e profundas mudanças introduzidas pelo governo estão forçando a baixa dos escorchantes juros cobrados pelo sistema gerador dos lucros mais torpes do planeta. Por tabela, introduziu modificações na sistemática da caderneta de poupança, o que nos permite sonhar agora com um país mais justo a desestimular que capitais especulativos continuem a se locupletar minando a solidez de nossa economia.

É possível até, quem sabe, que venhamos a servir de exemplo para boa parte do mundo. Oxalá!