Comprei uma lanterna por incríveis R$ 2,99. Produto manufaturado na terra dos nossos irmãos de olhos puxados lá do outro lado do mundo. Apesar de tão barata, tem funcionado perfeitamente.

Alega-se que o sistema de trabalho por lá é espoliante, as condições deploráveis, com resultado final que apresenta um PIB de mais de 8% em plena crise econômica. Mas na guerra cujo troféu dado ao vencedor é a hegemonia econômica sem ideologia, transformada em poderio político e militar, vale tudo. Lamentavelmente!

Por aqui, o governo abrindo as portas da bondade para estimular o crescimento econômico, que não anda lá muito bem das pernas, via concessão de mais e mais crédito, aliada à pressão por juros mais baixos (finalmente), anseia por resultados estimulantes.

Essa é a ponta do iceberg sob responsabilidade do consumidor, incentivado a se endividar ainda mais, sem consciência de como irá arcar com os ônus durante os anos de comprometimento financeiro. Se não conseguir quitar suas dívidas o problema é dele. A indústria já vendeu, o comércio fica pendurado com a inadimplência, assim como os bancos – pero no mucho -, eis que estes se protegem com taxas e juros escorchantes.

Mas a pergunta que fica é: e os impostos? O brasileiro é o cidadão que mais paga impostos e aquele que recebe os piores serviços públicos em troca. A conclusão é do “Estudo sobre Carga Tributária/PIB x IDH”, realizado pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). Como o cidadão desconhece o quanto paga de imposto sobre tudo o que compra e consome, fica fácil para o governo discursar transferindo a responsabilidade do sucesso econômico para a população.

Você tem consciência de que o trigo, base do pãozinho nosso de cada dia é tributado em 34,47% sobre o preço final pago?  O país, autossuficiente na produção de petróleo, mas não na produção de gasolina, taxa a dita em 57,03%, medicamentos em 36%, conta de luz em 45,81%, leite em 33,63%? São poucos esses exemplos, mas muito o quanto  contribuímos para abarrotar os cofres do governo que ano após ano bate recordes de arrecadação.

Alterar-se a legislação para que ao comprar um produto o imposto cobrado a você seja transparente, não interessa ao governo. Nem de longe!

A verdade é que nos sobram incentivos à gastança e nos faltam aqueles para investimentos. Investimentos prioritários, sim, prioritários, em educação, saúde, formação profissional de qualidade e infraestrutura, que são os alicerces capazes de transformar um país em potência. O resto vem por acréscimo, como em um parto indolor.

Mas  – até lá – haja discurso…”amantegado”.