O sistema financeiro mundial está ruindo. Principalmente na zona do euro envolvendo seus 17 países membros com respingos no resto do globo. Não são poucas as nações que amargam um futuro sombrio sufocadas por travessuras irresponsáveis dos que vivem e sobrevivem dos investimentos e poupanças alheias. São os gestores da indústria do dinheiro, das atividades não produtivas, que apenas transferem recursos financeiros de uns para outros mediante generosas comissões geradoras de lucro, usurariamente. As autoridades monetárias internacionais, sempre agindo como bombeiros no socorro aos bancos – sempre eles –, transferem o ônus  para os indefesos.

Um verdadeiro atentado à honestidade foi divulgado recentemente pela imprensa internacional sobre problemas com a exatidão da taxa de empréstimos interbancários Libor (a taxa de referência para o sistema financeiro global) no fim de 2007. O Federal Reserve dos Estados Unidos (Banco Central de lá) destacou que o banco britânico Barclays reconheceu que – pasme – estava reduzindo “artificialmente” suas estimativas sobre o custo dos empréstimos. Fraude pura. Mas se você nunca ouviu falar daquele banco, saiba que foi fundado em 1690 (não há erro de digitação) e possui mais de 140 mil funcionários. Não se trata, portanto, de um banquinho qualquer, haja vista que nosso Banco do Brasil possui cerca de 110 mil bancários.

Será que aprenderemos as lições sendo ensinadas pelos que não fizeram seu dever de casa? Grécia, Espanha, Portugal, Irlanda, Itália não teriam nada a provar ao mundo levando suas populações ao sacrifício do bem-estar, a perder suas economias de uma vida inteira, a assistir o desaparecimento de seus empregos e a contenção de suas aposentadorias pela austeridade imposta e tardia?

O Brasil, até a pouco se sentindo imune e vivendo como se fora uma ilha da fantasia, foi guindado à posição de destaque por sua capacitação econômica bafejada pelos ventos dos preços das “commodities” em tempos idos. Hoje, encurralado por um PIB declinante – retrato de uma economia claudicante – investe na velha fórmula do estimulo ao consumo desenfreado como alternativa. O alvo, a população endividada até o  pescoço, que continua obrigada a pagar juros de 323,14% anuais no cartão de crédito – as mais altas do planeta – para uma taxa básica (SELIC) de apenas 8% ao ano.

Mas nosso governo confia em reativar a economia com PACs os mais diversos para atender às necessidades prementes de infraestrutura no país visando a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. É sentar no banco… da praça e pagar para ver!

Que sistema é esse?!