A situação mundial encontra-se complicada dadas as dificuldades financeiras na Europa e Estados Unidos com implicações que atingem países emergentes. A instabilidade no oriente médio após a deflagração da Primavera Árabe, com a Tunísia liderando o bloco e levando de roldão Líbia e Egito, por fim, literalmente, coloca fogo no caldeirão sírio onde está instalada uma guerra civil deixando o mundo em expectativa.

A imprensa noticia que paraísos fiscais abrigam a espantosa quantia de 32 trilhões de dólares em seus cofres, produto de lavagem de dinheiro, transferências feitas para evitar a incidência de impostos em seus países de origem e outras maracutaias. O montante representa cerca de 280 bilhões de dólares em sonegação de impostos. Tanto quanto o volume de dinheiro entesourado, surpreende a colocação de nosso país no “ranking” dos líderes da tabela: China, Rússia, Coréia e BRASIL. Somos representantes prioritários da América Latina!

Comenta-se, a todo instante, sobre as desigualdades existentes entre sociedades de boa parte do mundo, sobre a falta de alimentos para sobrevivência de legiões de pessoas na África, pressões de toda ordem sobre cidadãos cujos países se encontram à beira da falência, desordem social, política e econômica. Discutem-se ainda, nos organismos internacionais, fórmulas que permitam aos que mais podem preservar seus interesses em detrimento dos menos favorecidos.   

Torna-se inconcebível que com tanto dinheiro sobrando nas mãos de tão poucos – haja vista a situação dos recursos disponíveis nos paraísos fiscais – aqueles organismos ainda se disponham a discutir, interminavelmente, soluções exclusivamente econômicas para sanar as mazelas causadas por governos desinteressados – ou incompetentes – no bem-estar de suas populações.

Estamos a assistir ao início de uma longa história. Minha visão do quadro que vivenciamos não permite divorciar acontecimentos diversos ocorrendo em paralelo. Turbulências econômicas, sociais e climáticas são consequências e não causas. A atuação de governos compromissados com parceiros que levam dirigentes de países paupérrimos ou não a desfrutar de riqueza pessoal nos paraísos fiscais é uma afronta ao homem comum, ao cidadão de qualquer classe social, de qualquer etnia ou religião.

E por fim, o status quo das condições climáticas, crescentemente adversas, desrespeitando as estações sazonais em hemisferios distintos, leva a assinatura do homem que privilegia os interesses econômicos de corporações mancomunadas com governos sedentos de poder e riqueza fácil. A natureza começa a cobrar a conta pelos desmandos que, infelizmente, vem sendo paga pelos que podem menos.

Até quando, tudo isto?