A violência impera em todos os cantos do planeta pelas mais diversas razões: atrocidades de guerra, retaliações por motivos religiosos, revoltas contra regimes despóticos, insatisfação social. Por aqui, a criminalidade bate recordes com o noticiário repleto de casos brutais diariamente. E a julgar-se pelos últimos episódios conhecidos, com barbaridade crescente desconectada da índole de nosso povo. São crimes cometidos com uma crueldade que choca até os mais insensíveis.

Passamos a conviver com a violência de forma quase natural, como se fizesse parte do nosso cotidiano. O que parece ser verdade. Aproveito a oportunidade para citar como exemplo aquilo que chamam de esporte: o UFC (“Ultimate Fighting Championship” em inglês) e o MMA (“Mixed Martial Arts” em inglês) – eufemisticamente denominados de “artes marciais mistas”.

Menciono este fato com destaque, pois até algum tempo atrás – salvo melhor juízo – pouca referência era feita ao “esporte” em questão. Mais recentemente, contudo, venho observando o crescimento da divulgação via portais da internet e em horário nobre da televisão por assinatura. E levanto esta questão por ter assistido, inúmeras vezes, às chamadas das lutas expondo atos de selvageria entre os contendores, com agressões sem fim, dignas dos espetáculos dantescos dos tempos da Roma antiga.

Respeito a preferência e a liberdade de expressão de qualquer pessoa por qualquer atividade esportiva ou não. Mas não posso me calar, como cidadão responsável, diante de tal promoção vil exibida em horário nobre da televisão, levando crianças e jovens em formação à exposição tácita de violência extrema. No momento em que a sociedade se preocupa com os elevados índices de criminalidade, comportamentos violentos como os do caso em questão não podem nem devem passar ao largo.

O horário dito nobre das emissoras de televisão está reservado para divulgação da incultura, com mínimas exceções. O mercantilismo que vem assolando nossa cultura e educação nas telinhas (agora telões) está a exigir uma manifestação contundente da sociedade civil visando a salvaguarda de nossas instituições mais caras.

Não posso conter minha indignação mesmo já tendo vencido a etapa de vida que me permitiu educar quatro filhos. São hoje homens e mulheres íntegros, conscientes de seus papéis como pais e mães que são com responsabilidade assumida perante a sociedade.

É possível que esta não encontre eco na maioria dos leitores. Mas minha consciência – tranquila – não permite a omissão diante de tamanha insensatez. Perdoem-me os discordantes.