A situação crítica, exasperante, vivida nas últimas semanas por cidades de São Paulo e Santa Catarina dominadas que estão pela violência crescente, insana, desumana, é incompatível com a natureza pacífica do brasileiro. Situação que não permite o alheamento e exige um mínimo de reflexão por todos nós.

Governos estaduais procuram justificar as ações criminosas olhando para o outro lado e tentando minimizar as evidentes deficiências de um sistema anacrônico, falido, de proteção ao cidadão e à ordem pública. Clamamos e proclamamos que Deus é brasileiro, mas as diferenças gritantes em nossa sociedade, mascaradas por uma economia pouco transparente, não priorizam a ordem das prioridades, a começar pela mola mestra da EDUCAÇÃO. Os investimentos na área não são, em absoluto, condizentes com a alardeada solidez de nossa economia. Segundo o governo, faltam recursos…

Não tapemos o sol com a peneira: o aumento de consumo por parte da população, estimulado a todo vapor pelo governo federal, não vai elevar o nível de escolaridade dos brasileiros, adequar escolas públicas em lugares distantes e nem tanto, valorizar professores, incrementar o saneamento básico. Impossível termos mais saúde, melhor formação, maior consciência cívica de nosso povo sem educação de qualidade.

A construção de estádios financiados pelos governos visando a Copa do Mundo de futebol, com duração de apenas um mês, é uma afronta aos que bradam por escolas e hospitais decentes. As primeiras, sem livros, carteiras e instalações condizentes, mas ambas carentes de infraestrutura. Hospitais públicos superlotados, sem remédios, médicos e enfermeiras de alto padrão, desprovidos de profissionais que não injetem sopa ou vaselina nas veias de pacientes desavisados, vitimas da desassistência do poder público, desvelam a realidade. O Brasil não é apenas o Sul e o Sudeste!

Portanto, não creio que possamos desvincular a violência reinante e preocupante da precária educação gerida pelo Estado. Cumpre lembrar que a Constituição federal define, claramente, as políticas para educação e saúde, interdependentes que são. Não há espaço para omissão e negligência.

Subjugar a qualidade do ensino de qualidade e assistência médica compatível com a ausência de recursos desviados para fins eleitoreiros e de sustentação no poder é crime. Crime hediondo! Tão graves quanto os que vêm sendo cometidos contra pessoas indefesas, policiais ou não, e pacientes internados sem qualquer opção.

É tardia a hora de priorizarmos a EDUCAÇÃO neste país!