Assisti a um documentário sobre a vida do pele-vermelha, nativo-chefe da tribo norte-americana Lakota Sioux, “Sitting Bull”-Touro Sentado – (1831 a 1890). Famoso por liderar a resistência contra a política nada amigável do governo de então, que visava a supressão de territórios ocupados por seus iguais desde tempos imemoriais, sua história transcendeu a história.

Ponderando sobre o assunto, não surpreende que, desde o principio dos tempos, o homem luta e morre para conquistar territórios e se apropriar de todas as riquezas que neles se encontram. Filosofando um pouco, qualquer alienígena que estivesse se aproximado da Terra teria como visão primeira muita água e muita terra. As águas são, hoje, demarcadas por tratados internacionais que estabelecem a quem cabe sua propriedade. As terras, conquistadas pelo império da força foram, pelo nepotismo e ao longo dos séculos, sendo distribuídas a apaniguados inicialmente e, “legalmente” mais tarde, consideradas propriedades de países e pessoas espalhados pelo planeta faz tempo.

Partindo-se do principio que ninguém fabricou ou produziu terras e águas nesta Terra, como se admitir que possam, então, serem elas propriedade de quem quer que seja? Irrefutável que a ganância dos homens e o domínio do poder pela riqueza via bens e propriedades são inerentes à natureza humana, incapazes de compartilhar o que – gratuitamente – lhes foi ofertado “lá atrás”. Mas nem sempre foi assim.

No caso dos peles-vermelhas e de nossos tupiniquins por aqui, além de outros tantos habitantes primeiros, terras, mares e rios eram preservados, admiravelmente, como patrimônio de sobrevivência. Tempos em que não havia mar, terra ou rio que pertencesse a governos ou cidadãos. Tempos idos.

Lamentavelmente, os povos europeus cultos, educados, dominadores, usurpadores foram, irresponsavelmente, dizimadores de culturas conscientes, ricas em sabedoria e formas de viver; época em que viviam –  os invasores – na opulência sugando colônias escravizadas à exaustão.

Poderia restar o consolo às nossas sociedades, tecnologicamente avançadas, mas humanisticamente retrógradas, de olhar no retrovisor da história e, quem sabe, reaprender com quem ainda preserva sabedoria dos ancestrais. Certamente os ensinamentos de então não se perderam, eis que traços de suas culturas permanecem vivos, ainda que escondidos nos recônditos de suas almas.

Se algum dia tiver a oportunidade de conversar com remanescentes autênticos de tribos em qualquer lugar do planeta, apenas permaneça atento, falando pouco e ouvindo muito. Descobrirá, por certo, que não há Google que possa substituir seus ensinamentos sobre como desfrutar de uma vida. Com vida!