O novo ano começou açoitado por tragédias climáticas aqui e no mundo afora. Ceifando a vida de milhares de pessoas, atinge mais os menos favorecidos, sofridos, não raro resignados com a própria sorte.

As intempéries cada vez mais agressivas encontram solo fértil em seu caminho de destruição. O homem, cúmplice dos momentos dolorosos que vivemos, torna-se refém de seus semelhantes.

Contínuos alertas de autoridades que tratam do assunto com seriedade esbarram em ouvidos surdos de políticos insensatos, de comportamento espúrio. Gananciosos empreendedores, encontrando naqueles os parceiros ideais, agem sem constrangimento visando apenas lucros a qualquer preço. Inclusive com o da perda de vidas humanas. Eximem-se da responsabilidade pela aprovação de projetos em áreas de risco, aumentando as possibilidades de desastres naturais, em troca de favores inconfessáveis. Violentam a mãe Natureza desviando cursos de rios de forma irresponsável, desmatam florestas, poluem a atmosfera, em nome do progresso duvidoso.

Um verdadeiro genocídio! Genocídio, sim, cometido por aqueles que deveriam defender a segurança, a qualidade de vida e o bem-estar das populações. No meu entender, crimes perpetrados contra a humanidade que ficam sem julgamento e condenações!

São muitos, felizmente, os que se rebelam contra a omissão de governos corruptos, que agem impunemente acobertados pelo corporativismo político, subsidiados por grandes corporações e empreendedores. Muitos sim, mas ainda em número insuficiente para fazer soar o gongo do chamamento e se fazerem ouvir.

Se as mídias fossem livres das amarrações publicitárias e políticas, poderiam ajudar a reverter este quadro com sucesso. Mas como se trata, ainda, de mera utopia e o nosso mundo real tem como prioridades o petróleo do Iraque, o gás do Afeganistão e agora a elevação da segurança no Iêmen… temas como o abordado aqui não merecem a devida atenção.

O drama que vivemos em todo o planeta não nos permite simplesmente sentar em frente à TV, descompromissadamente, assistindo a glamorosas novelas e versões jornalísticas dos fatos reais.

A responsabilidade pelo encaminhamento de soluções para a desordem instalada é só nossa. Os que têm o poder da caneta e do preenchimento de cheques são de outra espécie. Nada se espere deles.

Somos responsáveis, por princípio!

NOTA: Você talvez não se recorde, mas esta crônica foi publicada em 15 de janeiro de 2010, portanto há três anos, sob o titulo Genocídio! Dizer mais não é preciso.