Desde o principio dos tempos o comportamento dos humanos vem se alterando em função do desenvolvimento da espécie. Durante séculos a velocidade das transformações foi lenta, crescendo de forma exponencial a partir do fim da segunda guerra mundial. Estávamos no início dos anos 50 quando a industrialização e as telecomunicações avançaram além das expectativas, ultrapassando fronteiras, aprofundando a integração econômica, cultural, política e social entre países de todo o planeta. Os do oriente médio, guardando suas tradições por força de sua religião foram menos receptivos. Os do ocidente e asiáticos, fortemente influenciados em sua maioria.

Hábitos e costumes de outros povos foram sendo incorporados ao longo dos anos pela incontrolável força da propaganda, tendo o cinema e a televisão como verdadeiros arietes. Destaque-se a atuação dos Estados Unidos, com sua expansão econômica pós-guerra e desenvolvimento tecnológico enriquecido por cientistas oriundos de países derrotados no conflito. O Brasil, até a da metade do século passado vivenciava, como de resto todo o mundo ocidental, o predomínio da cultura francesa em todas as atividades: das artes, medicina, academia à educação, literatura, engenharia, arquitetura.

O poderio da artilharia cinematográfica e de marketing psicológico dos irmãos do norte, imbatível, fez e faz as cabeças de meio mundo. Até o Japão, não resistindo, teve suas tradições milenares arranhadas em sua cultura e no social. Inimaginável, décadas, poucas, atrás.

A prioridade dada ao dinheiro, ao status, ao consumismo, ao culto ao físico, à liberdade com liberalidade, foi exportada com sucesso. Fomos nos tornando reféns de uma nova sociedade onde, sem perceber, o sedutor sistema que não perdoa quem não tem, exige mais e mais de quem tem, arruinando valores e princípios em nome do consumo desenfreado, estimulando vícios, vulgarizando tanto o homem quanto a mulher a ponto de, não raro, comprometer o respeito mútuo, se instalou para ficar.

A sensação de vivermos uma eterna efemeridade em relação a tudo que nos cerca, de bens materiais a relacionamentos, tem gerado, principalmente entre os mais jovens, uma insegurança quanto ao futuro. Momentos dedicados à reflexão, quando existem, são poucos e para poucos. Sente-se no ar a necessidade de um viver agitado, de maior celeridade, como se o tempo de vida pela frente fosse cada vez menor e não maior.

Sem nenhum ufanismo, acredito que dar (mais) valor ao que é nosso, à música, à arte, cultivarmos a linguagem e o civismo, para dizer o mínimo, nos faria muito bem. Aliás, justamente o que fazem os exportadores de cultura para outros povos.

Aprendamos com eles.