Ouvimos e assistimos às notícias vindas do mundo todo, todos os dias. As internacionais, vindas dos quatro cantos do globo, surgem nas telinhas e telões apenas rapidamente e são disponibilizadas para consumo imediato e descartadas instantes após serem digeridas. São oriundas (as notícias) de países conhecidos, muitos, e outros nem tanto, mas que deixamos passar batido sem muita preocupação em saber onde se localizam. Quando muito, identificamos em que continente se situam. Assim mesmo se você passou pela escola, foi aluno aplicado de geografia e ainda se lembra do mapa…

Dentro desse contexto, quero crer que uma das áreas mais fascinantes do conhecimento humano é a geografia. No meu tempo de colégio, a geografia mundial era outra, principalmente a do continente africano. A independência de muitos países por lá, levando à troca de seus nomes inclusive, deixou muitos como eu sempre em dúvida sobre as “atualizações”: a Zâmbia era Rodésia do Norte; o Zimbábue, Rodésia do Sul; Botswana, África do Sul Britânica; Etiópia era Abissínia. Franceses, holandeses, ingleses, belgas, italianos, portugueses dominando boa parte do continente e exaurindo suas riquezas, ao deixarem suas conquistas para trás deixaram, também, a pobreza e a desigualdade social instaladas. A história registra.

Após o fim da segunda guerra mundial, a geografia política da Europa, leste europeu em particular, também tomou contornos que nos deixaram ignorantes com tantas modificações na geografia daqueles territórios. Sem nenhum constrangimento, afirmaria que a maioria da população, até hoje, pouco ou nada sabe sobre as regiões do leste europeu e oriente. Sérvia, Montenegro e Iêmen estão no seu mapa?

Curiosamente, vivemos em um mundo globalizado, “linkados” pela tecnologia, consumindo produtos cuja matéria prima é extraída na América Latina, beneficiada na Ásia, montada na Europa e distribuída por diversos países. A produção e a comercialização de bens e produtos deixaram de ter nacionalidade para se travestirem em algo acabado onde o último da fila coloca seu carimbo. É a geografia econômica fazendo seu dever de casa enquanto a política (geografia) permanece com seus contornos definidos.

É improvável que venhamos a presenciar alterações na geografia de países e continentes daqui para frente. A militarização, que sempre existiu agregando territórios pela força faz, agora, parte da história. O poder nuclear de potências consagradas, e até mesmo daqueles como o Paquistão e a Índia – que não são potências -, tendem a levar o mundo a se entender pela diplomacia – esfarrapada, muitas vezes – interesseira como sempre, mas cautelosa por razões óbvias.

Assim seja.