O perfil do mercado de trabalho é fruto de permanente mutação. O fator determinante nas últimas décadas, no entanto, tem sido a velocidade com que isto tem acontecido. E como seria de se esperar, o impacto maior se dá na formação dos profissionais que entram no mercado já relativamente desatualizados. O que o mercado exige no ano 1 de um estudante entrando na faculdade se mostrará defasado quatro, cinco ou seis anos mais tarde quando este mesmo estudante estiver se diplomando. Na formação de técnicos do ensino profissionalizante não é diferente. Há meio século, o número de profissões existentes era praticamente estático e pequeno, sem muitas alternativas. Com o passar do tempo, principalmente após o fim da segunda guerra mundial, com tantos inventos revolucionários surgindo em termos tecnológicos, o leque de opções foi se ampliando.

A última década tem sido pródiga em despertar novas profissões, antes inexistentes e alavancadas pela tecnologia. Fenômeno que permanece em alta e que só tende a se acelerar. As novíssimas gerações já possuem outra cabeça, o que faz com que os formados há poucos anos se encontrem em desvantagem no concorridíssimo mercado de trabalho na metade da pirâmide para cima. A outra metade, para baixo, no Brasil, sofre com a qualidade de instrução e formação, precária que é. Sem contestação e infelizmente, o ensino em qualquer nível no país está abaixo da linha d´agua, se comparado a muitos dos desenvolvidos.

As limitações antes impostas e hoje superadas com a ajuda da tecnologia têm seduzido muitos futuros profissionais a optarem por carreiras (se empregados vierem a se tornar) para as quais suas vocações naturais não se encontram à altura. O retorno financeiro, desafortunadamente, baliza o vislumbre de um futuro de sucesso. E aí reside o nó górdio da questão. Observe-se, no entanto, que estes são tempos onde significativa parcela dos jovens realiza intercâmbios conhecendo o mundo e novas culturas tornando suas opções na escolha de uma profissão mais autênticas e realistas. Talvez seja esta uma das causas para o crescimento do empreendedorismo no país, em todos os segmentos do estrato social, independente da formação de cada um.

Assisto, por isto, com bons olhos e otimismo, a transformação – ainda que embrionária – da cultura profissional das novas gerações procurando descartar o mesmismo, enveredando por caminhos onde o talento inato fala mais alto e a percepção do que seja o sucesso difere daquela de seus pais e avós.