Somos espionados por poderosos do hemisfério norte, por câmeras de segurança instaladas em toda parte e até mesmo em banheiros públicos femininos – como se lê no noticiário. Já não é de hoje que estamos privados de nossa privacidade e cidadania ficando mais expostos que qualquer rei nu.

Privacidade? Não nos esqueçamos da internet que controla nossos hábitos, preferências e relacionamentos. Do Google Map, que mostra sua casa para o mundo, mas apenas por fora, afirmo sem muita convicção… Se “drones” com mísseis controlados a milhares de quilômetros de distância são capazes de acertar a testa de terroristas protegidos por segurança máxima, o que mais se pode esperar em termos de nossa visibilidade ou “invisibilidade”?

Cidadania? Se vamos ao supermercado sem óculos, ficamos mais perdidos que cegos em tiroteio, incapazes de ler os rótulos expostos em produtos visando cumprir a lei. Se expressam a verdade é outra história, haja vista denúncias divulgadas pela mídia sobre malandragem nos pesos, volumes e conteúdo, até mesmo em produtos de “marca”.

Bulas de remédio, então, são casos de polícia. Verdadeiros “tratados” redigidos para proteger os laboratórios contra processos judiciais são mais uma afronta ao consumidor obrigado a tomar medicamentos. Tenho todo respeito pelos doutores, mas com a enxurrada de visitas de representantes de laboratórios aos seus lotados consultórios, fico me perguntando onde encontram tempo para se familiarizar com os riscos, reações adversas e contraindicações das centenas de medicamentos. E mais: como conhecer o perfil completo dos pacientes nesses dias de consultas a cada vinte minutos e, raramente, com o mesmo médico do convênio ou SUS? Além disso, quantos são os capazes de ler e entender o que está escrito nas bulas neste país com largo contingente de semianalfabetos?

A sensação é que estamos condenados, sem direito a recurso. Condenados a consumir produtos intencionalmente manufaturados para não durar; a comprar remédios vendidos em cartelas e vidros sempre em quantidade superior à normalmente prescrita pelos esculápios, enriquecendo laboratórios; a abastecer o carro pagando em uma moeda com… três dígitos (R$ 2,799/l por exemplo); a comprar, sem opção, “pacotes” da televisão paga que incluem, obrigatoriamente, canais que não interessam ao assinante; a abrir a página inicial do provedor de acesso à internet, tentar ler algo e ter o conteúdo “bloqueado” por propaganda. Somos joguetes nas mãos do sistema. Sem luz no fim do túnel!

Resta-nos tocar trombone.

Quiçá alguém ouça, aprecie ou toque conosco.