O jornalista brasileiro e correspondente internacional Sílio Boccanera mediou durante o Fórum Econômico Mundial ocorrido recentemente em Davos, Suíça, um painel organizado por emissora de TV por assinatura com a participação dos ministros das finanças dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Todos os participantes, inclusive o jornalista, obviamente, e plateia presente convidada ao final para fazer perguntas aos representantes dos países, se expressaram em inglês como é a praxe em eventos internacionais. Ou melhor, quase todos, haja vista que o representante brasileiro, Ministro Guido Mantega, viu-se obrigado a fazer uso de fones de ouvidos – com a transmissão das questões e respostas por tradutores – visto não estar apto a entender a língua do discurso internacional e nela se comunicar. Situação no mínimo constrangedora. Admissível, talvez, em reuniões do terceiro mundo pouco expressivas. Somos um país qualificado como emergente ou em desenvolvimento, ex-participante daquele mundo (terceiro), depois que a diplomacia mundial decidiu aplainar as diferenças entre certas nações.

Nada justificaria o envio de um ministro despreparado linguisticamente para participar de painel que contava com, pelo menos, duas potências – China e Rússia – cujos ministros fluentes na língua dominante durante o encontro têm como idiomas nativos aqueles tão distantes do inglês quanto Brasília está de Pequim.

O Brasil, pelo menos a meu ver, não se encontra mais deitado eternamente em berço esplêndido e o fato não se deve, em absoluto, aos últimos dez anos de sua história. Com altos e baixos, passos e descompassos, avanços e recuos, o país alçou voos mais altos no último meio século apesar da pobreza intelectual que grassa entre ministros, congressistas e gente do primeiro escalão dos governos. Sua Excelência, o deputado federal e ex-palhaço conhecido por Tiririca que o diga. O que não justifica, em absoluto, a pisada de bola do Itamaraty em não alertar quem de direito – leia-se a presidente – para o vexame televisado para os quatro cantos do mundo.

Sorte do governo federal que o painel não foi apresentado pela tevê aberta e, assim, não precisar abrir espaço na mídia para justificar perante a opinião pública o injustificável. Mas como afirma nossa presidente – sempre que a oportunidade se apresenta -, a Copa no Brasil será a Copa das copas. É o quanto basta e a FIFA agradece.