A violência fora de controle que vem assolando o país, principalmente o Sudeste, leva os cidadãos a viverem com medo de tudo e de todos, da polícia aos marginais. Assassinatos gratuitos, roubos, incêndios de ônibus, assaltos à luz do dia, levam a intranquilidade e não raro a dor a famílias inteiras.

A imprensa, que dedica longos períodos de sua programação televisiva para mostrar as barbaridades das últimas 24 horas banaliza a violência. Autoridades e muitos dos representantes da sociedade civil estão a propor leis mais duras para combater a criminalidade, como se isto fosse a solução…

O Brasil é um país pródigo em leis, mas parcimonioso na sua aplicação, haja vista a escandalosa e torrencial burocracia visível no encaminhamento e solução dos diversos processos. Com duas polícias distintas e independentes a proteger a sociedade – uma que prende e outra que investiga – o caminho a ser percorrido até o ministério público para oferecer denúncias é longo e, não raro, cheio de obstáculos – dependendo de quem estamos falando.

Vivendo em uma democracia, distante de problemas que assolam Ucrânia e Venezuela no momento, as manifestações de insatisfação por aqui, descambadas para depredação, violência e vandalismo, parecem ter raízes mais profundas que as de pura e simples insatisfação.

O governo federal adotando um programa de assistência social – onde fornece o peixe, mas não ensina a pescar, leia-se educar – produz resultados que mascaram uma realidade cruel como as constadas todos os dias na carência de hospitais e um sistema corroído de saúde, ausência de saneamento básico em boa parte do país, escolas públicas sem qualidade, insegurança da população em sua liberdade constitucional de ir-e-vir.

Com uma estrutura voltada exclusivamente para composições políticas que visam sua manutenção no poder o governo, com absurdos 39 ministérios constituídos para defender projetos governamentais a custos estratosféricos, tapa os olhos da população mais carente e ignorante – no bom sentido da palavra – desviando sua atenção dos problemas reais levando-a a acreditar em contos da carochinha política. Com absoluto sucesso, ressalve-se!

O país, ao apoiar e financiar governos pouco afeitos à democracia parece deixar claro sua política de perpetuação no poder admitindo conviver com 13.2 milhões de analfabetos com 15 anos de idade ou mais e – atenção – gasto anual por aluno da educação básica de apenas R$ 5 mil (dados da UNESCO). É quanto custa, também, um deputado por dia. E olhe que eles são 513.

Nem Freud explica!!!