O cidadão brasileiro continua marginalizado e desrespeitado sob todas as formas. A maioria da população – mais familiarizada com novelas na televisão que com a realidade que vivemos – não tem acesso a informações importantes para formação de juízo e valor sobre o destino desse gigante Brasil.

Somos bombardeados pela propaganda governamental que nos faz crer que este país tem dono e que este dono é você. Não é! Se você o fosse não estaríamos pagando a conta das irresponsabilidades econômico-financeiras produzidas por aqueles que por nós se interessam apenas em épocas de eleição. E nem pela política macroeconômica que suscita dúvidas até nos mais otimistas economistas.

A compra de uma refinaria de petróleo em Pasadena (Texas, EUA) pela Petrobrás, por preço que seria 119% superior ao pago pela vendedora dois anos antes, causa frisson no governo. A decisão pela compra foi tomada unanimemente pelo Conselho de Administração da empresa com base em relatório falho – técnica e juridicamente – segundo nota divulgada pela presidente da República, presidente do Conselho à época. Relatório esse produzido pelo então diretor internacional que até a semana passada era mantido como diretor do grupo, quando foi demitido depois de decorridos… oito anos. Cumpre lembrar que os membros do Conselho de Administração e Diretoria da Petrobrás são apadrinhados de políticos de Brasília e regiamente remunerados pela sociedade eis que cabe a nós, impotentes, pagar a conta! Não surpreende, pois, que a empresa que já foi a 12ª maior do planeta seja hoje, apenas, a 120ª. E que a gasolina que você compra continue sendo vendida na bomba por um preço menor que aquele pago pela empresa para sua importação. Ah, sim! A inflação…

E enquanto bolsas várias são distribuídas Brasil afora, o país, carente em educação, saúde e segurança, financia Cuba em obras de sua infraestrutura e arca com prejuízos de monta na pseudo-parceria com a Venezuela para construção de uma refinaria em Pernambuco que vem se arrastando há anos.

Para encerrar, pondere sobre trecho de artigo escrito pelo Dr. Marcus Vinicius Coêlho, presidente do Conselho Federal da OAB, no Diário da Manhã:

“A não correção da tabela de incidência do IRPF de acordo com a inflação fez com que milhões de brasileiros passassem a ter que pagar impostos injustamente. A correção da tabela do IRPF muito inferior à inflação viola, de igual modo, outras expressas normas da Constituição Federal. De janeiro de 1996 até dezembro de 2013, já descontadas todas as correções da tabela do imposto, ainda resta uma perda do poder aquisitivo da moeda brasileira da ordem de 62%.”

Cidadania, onde estás?

* Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98 *