Leio na Folha de São Paulo que a antiga casa onde cresceu Pelé, em Bauru (SP), pegou fogo. Desocupada há anos, existia uma ideia antiga de lá se instalar um Museu do Esporte: nunca se materializou. Vítima de invasões de andarilhos, a casa teve o fim trágico de tantos outros imóveis por esse Brasil afora.

Holambra vive situação crítica em relação ao seu Moinho Povos Unidos. Reportagem da semana passada nesse jornal descreve em detalhes o estado caótico em que se encontra aquele monumento. Os mais antigos do município vivenciaram o lançamento da ideia para sua construção. Acompanharam, ainda, o empenho, a participação, de tantos abnegados no projeto e sua obra – voluntariamente mencione-se – que mesmo depois de concluído nunca deixaram de medir esforços para evitar o quadro deplorável em que se encontra o Moinho hoje.

Como é possível conviver-se com tamanho descaso? Esse, que é o maior moinho da América Latina, construído durante 20 meses sob a supervisão direta do arquiteto holandês Jan Heijdra, responsável pelo projeto e um dos poucos especialistas do mundo na construção de moinhos, não merecia chegar a esse ponto. Consta que estão em andamento, agora, trabalhos emergenciais de conservação, mas ainda sem verba contingenciada para realização de uma manutenção de envergadura.

A propósito, a Holanda possui, ainda hoje, cerca de 1040 moinhos estando muitos carentes de restauração pela idade (muitos do século XVII!). O nosso, entretanto, inaugurado em julho de 2008, sequer conseguiu completar a “menoridade” preservado. Que sirva de exemplo o fato de o governo dos Países Baixos ter alocado, recentemente, 80 milhões de dólares para construir ou restaurar 120 moinhos visando resguardar um dos principais símbolos do país.

Somos um país sem memória nem grande vocação para a preservação de nossa história. Felizmente existem o Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico pertencente à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional entre outros organismos que tem como missão a preservação do patrimônio cultural brasileiro. Ousaria afirmar que são poucos aqueles que entre os mais de 200 milhões de brasileiros conhecem ou ouviram falar dessas instituições.

Não surpreende, portanto, que até o Rei Pelé, personagem mundialmente conhecido, ainda vivo, tenha sua casa histórica esquecida e destruída. Não permitamos, portanto, que nosso “Mollen” (moinho) venha a ter destino igual àquele de Limeira, também consumido pelas chamas fruto do descaso das autoridades competentes.

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