Vivemos tempos conturbados ou mais conturbados. Informações de toda ordem são substituídas a cada instante se avolumando como em um caleidoscópio. Digeri-las em tempo hábil – e conscientemente – não é tarefa fácil. Entre as mais notáveis estão os descompassos entre a mãe natureza e o bicho homem. Fenômeno que vem se exacerbando e não é de hoje.

Desde os anos 80 e mais acentuadamente dos anos 90 para cá, os desequilíbrios ecológicos se fazem sentir com profundas perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e, principalmente, aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas. Não se trata de conjecturas, mas sim de ocorrências observadas pelos mais atentos.

Dentro desse comportamento desviante cumpre ressaltar o que seria cômico – se não fosse trágico. A Câmara de Vereadores de Holambra aprovou por 6 votos contra 2 projeto do Executivo para – PASME – aumentar o limite de ruído permitido no município. A aprovação, cuja defesa – a partir de premissas absolutamente equivocadas por parte de um de nossos vereadores – desrespeita leis estabelecidas e é mais uma afronta ao cidadão que paga seus impostos e tem direito ao sossego e a preservação de sua saúde física e mental. Os interesses financeiros, econômicos e comerciais falaram mais alto ao tratar de atender àqueles que privilegiam seus livros contábeis em detrimento do bem estar maior da sociedade.

Aos idosos de nosso Centro Social Holandês – referência nacional e exemplo de solidariedade humana -, aos internados no Posto Central de Saúde e aos moradores próximos do Espaço YPÊ – protagonista da infeliz iniciativa do executivo municipal -, só resta sofrer as consequências. Fosse o nosso país povoado por maioria educada, no sentido lato da palavra, e poderíamos almejar que contestações, manifestações legais e legitimas, fizessem valer a lei maior. Mas ainda não atingimos a maturidade para chegar lá.

Admitamos, no entanto, que a culpa por esse descalabro seja de muitos de nós que colocamos todos os responsáveis por essa aberração nos lugares por eles hoje ocupados, mediante voto democrático na eleição que os elegeram.

Mas se não há nada que possa ser feito agora permitamos, pelo menos, que se mantenha viva na memória – indelevelmente – as razões para suas futuras noites de desassossego. E que nas próximas eleições, com um brado retumbante, possa o cidadão holambrense – mediante voto consciente – reverter o triste quadro a ser enfrentado doravante pelo descaso e omissão de quem pode mais.

* Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98 *