Este ano o país enfrenta severa escassez de água, gerando, inclusive, problemas para o fornecimento de energia via hidrelétricas que não conseguem atender a demanda e levando o governo a fazer uso de usinas termoelétricas. Como resultado, o custo da operação do sistema tem subido vertiginosamente respingando nas futuras contas de luz que já estão a caminho. Nada disso é segredo, mas certamente a maior parte da população desconhece a realidade energética que estamos vivendo. E passados dez anos da criação do programa “Luz Para Todos”, o governo federal já sabe que subestimou – e muito – o número de casas sem energia. A estimativa é de que, hoje, 257 mil casas estejam sem luz elétrica no país: um milhão de pessoas.

Cerca de 70% da superfície da Terra é coberta por água em estado líquido. Do total desse volume, aproximadamente 97% se encontram nos mares e oceanos como água salgada, 2% em geleiras e calotas polares e cerca de 1% nos rios, lagos e fontes subterrâneas. O Brasil dispondo de um subsolo rico em água potável possui, aproximadamente, 20% das reservas de água doce do mundo. E especialistas em hidrologia estimam que em 2025 mais de um terço da população mundial sofrerá com falta de água potável…

Captação, armazenamento de água e geração de energia no país sempre foram problemáticos. Problemas que ao longo de décadas, muitas, vem sendo empurrados com a barriga e contemporizados por governos inertes eleitos a cada quatro anos. Com a riqueza das condições hídricas brasileiras deveríamos nos envergonhar por não tratar dignamente esse ouro líquido, carente em parte do planeta. E não será surpresa se em futuro pouco distante a água venha a ser considerada uma “commodity” a exemplo de minérios, petróleo, café, soja e cereais.

Não é pequena a população insensível ao verdadeiro drama que vivemos em relação à água. A história sempre se repete: tão logo as condições adversas são contornadas – não resolvidas! – e a água voltar a sair das torneiras, tudo volta a ser como antes. Comportamento inconsciente com tragédia anunciada.

Existem duas formas de conscientizar as pessoas: com educação ou com sofrimento. Com raras exceções, escolas não formam indivíduos para a vida cidadã; apenas ensinam aos mais privilegiados a passar em vestibulares. Muito pouco para um país que desperdiça muito de tudo. Já o sofrimento se faz presente justamente entre aqueles que menos têm: no caso da água, boa parte da população nordestina, vítima, até, da indústria da seca. Injusto!

E ainda tem gente que insiste em varrer e lavar a calçada com mangueira de esguicho!