Ele foi um dos grandes personagens da história por contar histórias, ter sido um homem eclético, aviador, poeta, pensador. Seu nome: Antoine Jean Baptiste de Saint-Exupéry, autor de inúmeras obras inclusive o famoso “O Pequeno Príncipe”. Suas mensagens simples, mas de profundidade incomum, nos legaram ensinamentos válidos em qualquer tempo. Uma delas, “Você é eternamente responsável por aquilo que cativa” cala fundo na vida de todos nós. Ou deveria calar. De caráter filosófico, sua percepção dos acontecimentos tinha como endereço certo adultos de todas as idades.

Cativar é um verbo com inúmeros significados que a tudo atende durante nossa existência. Somos de alguma forma e por não poucas vezes, picados pela mosca que nos leva a aproximação com pessoas ou – muitas vezes – a determinadas situações de forma involuntária. A atitude, quando espontânea – e sem qualquer interesse obscuro – pode se transformar em uma das mais belas formas de convivência humana. E não é difícil nos tornarmos presas de circunstâncias que desaguam na ligação – temporária ou permanente – a algo ou alguém por vínculos fortes independentemente de nossa vontade.

Desconsidero aqui as intenções torpes tão comuns entre aqueles de pouca estatura moral que fazem uso da sedução como recurso para atingir fins escusos. Mantenho-me fiel ao pensamento e ensinamentos de Antoine que possuía uma visão clara e límpida da vida fruto, talvez, de uma existência que lhe permitia ver de cima, dos céus às vezes pouco acolhedores, o comportamento de seus semelhantes.

Nem sempre nos é possível perceber o quanto cativamos alguém simplesmente por sermos como somos ou agimos; e no reverso da medalha, nem o quanto magoamos involuntariamente aqueles que tanto nos admiram e estimam.  Já aconteceu com você e comigo. Não fica ninguém de fora.

Quero crer que a mensagem de Saint-Exupéry seja aquela que nos leva à reflexão e não nos autoriza nem nos dá o direito de, literalmente, atropelarmos sentimentos daqueles que – não raro – silenciosamente, nutrem por nós admiração, respeito e até mesmo amor involuntário. Pensarmos como adultos e reagirmos com a sabedoria despoluída das crianças talvez seja o caminho para nos mantermos acordados diante da responsabilidade que temos perante aqueles que nos cativam e… cativamos.