O nosso país, durante décadas, tem sido considerado o país do futebol por excelência. Sete anos atrás foi escolhido para sediar mais uma Copa do Mundo. Longos sessenta e quatro anos depois de o Rio de Janeiro e o Brasil chorarem a perda da dita, em casa, para um Uruguai humilde – mas guerreiro – como sempre quando o assunto é bola rolando. A euforia verde-amarela pela escolha do Brasil como sede do maior evento do futebol foi, à época, festejado como uma vitória política e esportiva. Os interesses econômicos e comerciais envolvidos em oportunidades desse porte não são desprezíveis haja vista os investimentos a serem feitos para dotar um país da infraestrutura necessária para atender aos padrões exigidos pela entidade máxima do esporte bretão, a FIFA.

Foram concedidos ao país oitenta e quatro meses para colocar o palco em condições de receber não apenas 32 seleções de diversas partes do mundo, mas, também, um mundo de turistas interessados em nos visitar e torcer por sua seleção durante o inverno brasileiro. Inútil repetir e mencionar o “status quo” do palco a vinte dias do apito inicial, no Itaquerão – leia-se “Arena” do Corinthians -, em São Paulo. Segundo a em.com.br: “serão gastos R$ 26 bilhões na empreitada. Esse é o custo da Copa de 2014, de acordo com a última atualização da Matriz de Responsabilidades a cargo do governo federal, dos governos estaduais e cidades-sede. A lista tem de obras em estádios a projetos na área de turismo, passando por telecomunicações, portos e segurança, entre outros, formando um quadro completo.”

A insatisfação social que vem sendo demonstrada por todos os estratos sociais da população diante do volume de recursos governamentais alocados para o evento – deslocados de áreas vitais para o bem estar da sociedade como saúde, educação, segurança, mobilidade urbana – é reveladora. Não há mais como se esconder o sol com a peneira. Não se trata de ser a favor ou contra a realização de uma Copa no Brasil. O futebol, que já foi um esporte competitivo apaixonante, é hoje um negócio mundial a exigir investimentos bilionários de retorno trilionário. Os empresários sabem disso e os políticos beneficiados também. Estariam os meios, então, a justificar os fins?

Não há mais como iludir a sociedade com pão e circo. Incompatível, incoerente, insustentável que como a sétima maior potência do planeta (ainda…) – muito à frente de Coreia do Sul, México e Arábia Saudita, por exemplo – vivamos em condições como as agora reclamadas. Estaríamos nós a revelar ao mundo a nossa face oculta?