Comerciantes do município pernambucano de Abreu e Lima – Região Metropolitana do Recife – durante a greve da Policia Militar e de Bombeiros realizada há duas semanas, tiveram suas lojas saqueadas e depredadas em atos de destruição deplorável. Foram roubados desde eletrônicos até geladeiras, fogões e lavadoras de roupa. Os atos não são exclusividade daquela cidade, haja vista que pelo Brasil afora demonstrações e protestos vem ocorrendo quase que diariamente pelos mais variados motivos. Cumpre lembrar – sem qualquer justificativa – que ações dessa natureza ocorrem, também, em países do chamado primeiro mundo e em momentos de crise social, política ou econômica.

Na contramão de tudo que aconteceu, pouco destaque foi dado ao fato de que muitas pessoas – por receio de serem presas, denunciadas ou encaminhadas às autoridades policiais por familiares – devolveram às delegacias muito do que foi roubado. Entre elas encontravam-se aquelas arrependidas que confessaram ter agido por impulso no meio da confusão reinante. A imprensa não teve como quantificar estas últimas – de elogiável conduta – e o assunto aqui no sudeste desapareceu do noticiário.

O que me parece relevante ponderar é que a índole do brasileiro é, por natureza, pacífica; apesar de virmos assistindo nos últimos tempos a algumas barbáries antes inexistentes em nossa sociedade. Acredito que a mudança no perfil de nossa gente, tornando-a mais agressiva por vezes, possa ser creditada, entre outras, à torrente de propaganda que estimula o consumo desenfreado. Consumo ao qual nem todos podem ter acesso, mas que com o desejo exacerbado pelo anseio de possuir leva não poucos ao desvio de conduta. E, sem dúvida, também, ao crescente consumo de drogas por todas as classes sociais.

As informações e sua divulgação em tempo real têm sido banalizadas, sem qualquer maquiagem, tornando mais transparentes as diferenças entre os indivíduos e suas classes. A globalização parece estar nivelando comportamentos por baixo, alterando perfis sociais e evidenciando, também, sentidos reprimidos.

Tomo a liberdade de incluir-me entre aqueles que entendem que a volta por cima nesse quadro preocupante esteja na Educação. A começar em casa junto à família, na escola através da formação e cidadania, no seio da sociedade pelo exemplo. Etapas utópicas se não forem precedidas por uma Educação de qualidade oferecida pelos governos em escolas públicas de qualidade, capitaneadas por professores qualificados e bem remunerados. A escola pública é a única que pode democratizar a formação dos cidadãos do futuro oferecendo oportunidades iguais para os desiguais.