A semana foi aberta com notícias sobre a Copa e tudo que lhe diz respeito, como seria de se esperar. Torrentes de informações, a maioria inútil. Mas como, felizmente, o mundo não para de girar por causa disso, pus-me a pensar sobre realidades que vão muito além do jogo da bola. E eis que me deparo com a notícia a seguir transcrita: Sônia Guajajara, uma das maiores líderes do movimento indígena nacional afirma que Dilma desconhece os índios brasileiros e ignora suas aspirações. “Ela pensa que, para ficarmos bem, precisamos ter bens, chuveiro quente, casa de alvenaria”. “Nossa lógica e nosso modo de vida são outros: qualidade de vida para nós é liberdade, e liberdade é ter nossos territórios livres de ameaças e invasões para produzir sem destruir, como fazemos milenarmente.”

Sou um entusiasta da cultura nativa dos indígenas, sejam eles do hemisfério sul ou norte. Até que o homem branco surgisse para usurpar suas terras de forma violenta, contaminá-los com doenças até então para eles desconhecidas, impor-lhes religiões estranhas às suas crenças milenares, estes irmãos viviam na mais plena harmonia com a natureza e o meio ambiente. Em nome da exploração de riquezas para seus senhores e a conquista de terras visando a expansão de seus territórios – mediante massacres com os ocorridos em ambos os hemisférios – as sociedades ditas civilizadas a tudo assistiram insensíveis às vitórias no melhor estilo de Davi contra Golias.

O homem branco – sempre correndo atrás do que entendeu como progresso – jamais percebeu o antagonismo que se instalara em sua seara, comprometendo lentamente a verdadeira razão de viver com qualidade, aquela de que dispomos de apenas uma: a vida. O homem se revolta contra o ar poluído que respira, a água impura que por falta de alternativa é obrigado a beber e por ela pagar, ingerir o alimento que não nutre, o barulho atordoante que o cerca por todos os lados, a falta de espaço que lhe tolhe a liberdade, o medo permanente de ser roubado que o mantem enjaulado em suas casas e automóveis, o tempo perdido para se locomover em suas máquinas de última geração.

Mas sua revolta sem sentido é fruto de sua escolha. Optou por fábricas poluidoras para atender às suas expectativas de consumo, enfrentar a insegurança das cidades onde o inimigo não é o urso polar do continente norte americano nem os animais selvagens de nossas florestas. A ameaça vem de seu semelhante que busca ter mais, obrigado a pagar por tudo aquilo que a natureza colocou a seu dispor gratuitamente. Simples assim.