Há algumas décadas, paulatinamente, os objetivos de vida das pessoas vêm se alterando – para melhor, a meu ver. Estamos vivendo mais, com mais saúde e maior diversificação de interesses. A qualidade de vida passou a ocupar lugar de destaque na jornada e, para não poucos, colocada no topo da lista de prioridades. Caminhamos bastante, mas não o suficiente para driblar o trator do consumo que nos consome, mantendo-nos prisioneiros e sem liberdade para vivermos uma vida mais simples e autêntica.

Os objetivos de vida, que começam a ser desenhados ainda na adolescência, são fortemente influenciados por pais e escolas. Os primeiros, com inúmeros exemplos, procuram ver seus filhos “realizados” ao se formarem em algum curso superior. As segundas, com interesses comerciais fazendo a ligação direta entre o ensino médio e as faculdades. Rolo compressor agindo em uma das fases mais importantes da vida de um jovem inexperiente, reduzindo seus espaços para uma avaliação mais profunda de como projetar um futuro promissor.

Afinal, a vida não é só trabalho, ainda que fundamental e imprescindível para a subsistência de todos nós. E aí, quero crer, é que reside o nó górdio da questão. Que questão? A de como compatibilizar o tipo de vida desejado com os recursos necessários para mantê-la. Conflito existencial! Em realidade, no momento em que os jovens fazem suas opções – influenciados em sua maioria pelos agentes catalizadores mencionados – eles não se encontram suficientemente maduros nem possuem, ainda, uma visão de qual a melhor rota para enfrentar e desfrutar de uma vida plena.

Acredito que o desfrutar de uma vida plena, profissional, envolve o casamento do talento de cada um, ou uma, com a profissão escolhida. Se a escolha não for acertada muito provavelmente a união terminará em divórcio ou, pior ainda, em uma vida sacrificada e infeliz até a aposentadoria. Mas as nuvens estão a prenunciar novos tempos à frente com o crescente número de jovens pensando em ter seus próprios negócios, sem depender de empregos; até mesmo a escolherem melhor seus cursos técnicos ou superiores ao se decidirem pela amada (profissão).

Não é improvável que você conheça alguém ou alguns que transitaram pela experiência, qualquer que seja ela. E se seus filhos ou netos estiverem no ponto de enfrentar a hora da verdade ofereça-lhes a oportunidade de aprender a voar com as próprias asas. Sua própria história de vida – não importa qual – talvez lhes sirva de exemplo. Pondere!