Que somos um país de contrastes ninguém discute. Mega contrastes coexistindo lado a lado, nem sempre harmoniosamente. Desde favelas convivendo com bairros que abrigam classes média e alta até hospitais com infraestrutura precária instalados próximos àqueles que recebem políticos e personalidades de alto poder aquisitivo. Possuímos uma indústria aeronáutica de primeiro mundo – capitaneada pela Embraer – enquanto transportamos as riquezas agrícolas por caminhões trafegando em estradas precárias, elevando o custo Brasil, apesar de possuirmos na cabotagem excelente alternativa de transporte marítimo.

O país não é exceção nesse contexto das diferenças marcantes, mas sua exposição junto à mídia internacional é inevitável e fruto de seus belos cenários paisagísticos, clima para todos os gostos, gente bonita e alegre. Na contramão, deixamos nossas mazelas às claras por falta de um maior cuidado das autoridades que zelam pela imagem do país. A imprensa, inclusive a internacional, prioriza a divulgação de tudo que mais choca, como tragédias por exemplo.

Mas, como por encanto e diante das previsões mais sombrias, o Brasil conseguiu realizar uma Copa do Mundo FIFA – sem atropelos maiores e com sua seleção levando um inédito baile germânico, verdadeira “Julifest”. Baile germânico dentro e fora dos campos, eis que além de levarem a Taça para casa, deixaram para trás algumas lições inesperadas vindas de um povo considerado frio e de reações comedidas.

Foi a única seleção a construir seu próprio reduto – um moderno complexo com 14 casas destinadas aos atletas, comissão técnica e centro de treinamento – financiado em parte por patrocinadores da federação alemã. O cenário, paradisíaco, com vista para o mar, fica na vila de Santo André a 40 quilômetros de Porto Seguro, Bahia. Detalhe: projeto concluído em cinco meses de trabalho e a se tornar um empreendimento para o turismo brasileiro e internacional após a Copa. Eficiência pura!

Escolheram como segunda camisa uma idêntica a do clube mais querido do Brasil: Flamengo. Socializaram-se com a comunidade local, inclusive a indígena, deixando doações beneficentes e, ainda, ao celebrarem a vitória final no campo ensaiaram uma dança aprendida com os índios pataxós. Um baile de lições.

Lições de competência, profissionalismo, disciplina, seriedade com o dinheiro público, ausência de badalações e humildade sem estrelismos.

Por fim, vale a pena ler a carta (pic.twitter.com/1EHB8MVj7S) – escrita em português pelo jogador Lukas Podolski  (foto) – agradecendo ao povo brasileiro por tudo que receberam de nossa gente.

“Danke sehr Deutschland”! Muito obrigado, Alemanha!