Neste mundo conturbado que estamos a viver fica difícil desligar-se da dura realidade: as mídias com suas manchetes, dando prioridade a desastres e tragédias outras, focam nossa atenção primeira nessa faixa de informação.

Não bastasse isso, vez por outra, somos surpreendidos com a notícia do desaparecimento de pessoas chegadas que nos deixam e até mesmo daquelas – não tão chegadas – mas que admiramos por razões diversas.

Semana passada este país perdeu duas personalidades representativas do mundo literário, educacional, homens de cultura e visão impar do mundo e das pessoas comuns. João Ubaldo Ribeiro, escritor, jornalista, professor, formado em Direito e membro da Academia Brasileira de Letras fez sua passagem primeiro. O grande mestre Rubem Alves, psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis, nos deixou logo a seguir.

A natureza humana, tão diversa como a água e o vinho, sobrevive, sem alternativa, entre polos tão antagônicos que levam os mais sensatos a buscar respostas para perguntas a séculos formuladas e ainda carentes de esclarecimento. Homens fazem e desfazem, alegram e entristecem, tornam a vida de muitos um calvário sem fim em nome da manutenção do poder, da religiosidade segundo suas crenças, do apego à riqueza.

São morticínios na Síria, atentados a civis no Iraque e Afeganistão, embates fratricidas na Ucrânia, conflitos insolúveis entre Israel e palestinos, barbáries cometidas em países da África cujas histórias a maioria de nós desconhece. São centenas de milhares de crianças sem futuro e pais desalojados de suas terras – quando sobreviventes – aguardando pelo raiar de uma sociedade mais lúcida onde o nós se tornará mais importante que o eu.

Na contramão dos acontecimentos sombrios, a lucidez e ensinamentos de Rubem Alves e João Ubaldo, cada um no seu estilo, garantiram e privilegiaram algumas gerações. Gerações interessadas na boa leitura e aprendizado sobre a vida, no desfrutar do conhecimento e visão do mundo que a nem todos é perceptível.

Se você ainda não teve a oportunidade de ler os livros desses dois ícones da escrita, aventure-se nos seus textos. Uma viagem imperdível.

Nossa reverência aos dois mestres.