A exemplo da maioria das pessoas que acompanham o noticiário daqui e do mundo, estou estarrecido com o que vem acontecendo no conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas, no Oriente médio. Não encontro adjetivos para qualificar a barbárie mostrada pela televisão, fundamentada pelos relatos de jornalistas e especialistas de ambos os lados.

Como cidadão sensível ao tema, mas leigo em assuntos de política internacional, me limito a tentar compreender o que leio e assisto, via informações geradas de forma pouco esclarecedora pela imprensa. A real origem dos desencontros entre israelenses e palestinos é obscura para nós ocidentais, eis que o conhecimento do cidadão médio sobre o contexto não lhe permite desvendar o fio da meada de uma guerra lá no outro lado do mundo.

Mas o que me deixa mais perplexo como ser humano é a hipocrisia com que os atos cometidos são justificados por um lado e condenados pelo outro. A ONU, por exemplo – que mais se assemelha em comportamento à rainha da Inglaterra – usa discurso diplomaticamente contundente mas ineficaz, haja vista que ao longo dos anos e durante conflitos outros já teve sua autoridade não apenas questionada, mas, inequivocamente, ignorada. Uma organização anacrônica, fadada à extinção!

Em realidade, significativo número de nações tem se omitido nesse episódio, de uma ou outra forma, para não comprometer seus interesses geopolíticos e econômicos. A história, ao longo dos séculos, nos ensina que o conflito há de terminar e que, assim, aqueles interesses devem ser preservados para sobrevivência de suas alianças. O suporte econômico e bélico dado aos beligerantes, ostensivo ou dissimulado por “aliados”, resulta de comprometimentos que não privilegiam o ser humano. Muito pelo contrário. O mercantilismo na guerra sempre fala mais alto e os políticos, artífices que são dos desatinos causados às populações inocentes, dificilmente sofrem na pele as consequências de seus atos insanos, sem dó nem piedade.

As diferenças de pensamento e ideias entre pessoas de etnias distintas, agressivas ao extremo com o próximo – sob o manto de respeitar princípios culturais e religiosos – tem se perpetuado desde sempre. A faixa de Gaza, onde se concentram os combates entre palestinos e israelenses, não tem exclusividade com o morticínio. Síria, Iraque, Líbia e diversos países da África vivem em permanente estado de choque fratricida dando sua contribuição para que contingentes de civis inocentes sofram e superem, em muito, o número de vítimas fatais em combates. Armagedom a vista?