Semana passada abordei o assunto Educação no país destacando o viés econômico-financeiro-tributário da questão. As prioridades governamentais que relegam a um segundo plano aquele que, a meu ver, deveria ser o carro-chefe da construção de uma sociedade forte, saudável e competitiva – investimentos pesados na Educação com estímulos e isenções tributárias – não estimularam parte de meus leitores a qualquer esboço de reação. A leitura das “curtições” no post publicado no facebook durante a semana revelou que assuntos desta natureza não parecem merecer muitos comentários. A aferição das reações no jornal impresso não pode ser medida apesar de manifestações por e-mail serem sempre possíveis.

A grande virtude da democracia é permitir ao cidadão se manifestar sobre qualquer tema dando-lhe a dimensão que entende merecer. Sem qualquer castração. E mais: oferecer àqueles conscientes a oportunidade de ponderar sobre um futuro que depende – sempre – de ações e reações presentes as quais, de uma ou outra forma, atingirão sua qualidade de vida em todos os momentos.

E por que retomo o assunto esta semana? Porque a mim não parece ser honesto ficar omisso diante de um quadro estarrecedor: o Brasil ocupa hoje o lugar mais alto no pódio da violência em escolas! Pesquisa global com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio fez a revelação: 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram serem vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana, segundo enquete da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Alarmante!

Foram 34 os países pesquisados e a média divulgada pela pesquisa foi de 3.4%. Ressalte-se que o índice na Coréia do Sul, Malásia e Romênia é zero! Claro está que estes resultados refletem a condição de valorização – ou não – da profissão (de professores). Ainda segundo a pesquisa “muitos deles não se sentem apoiados e reconhecidos pela instituição escolar e se veem desconsiderados pela sociedade em geral”.

“Em países asiáticos, os professores possuem um real autoridade pedagógica. Alunos e pais de estudantes não contestam suas decisões ou sanções” comenta um especialista da OCDE. Já por aqui…

E Pero Vaz de Caminha, lá atrás – os que estudaram História do Brasil devem se lembrar – afirmava em carta enviada ao rei D. Manuel I, de Portugal, que “De tal maneira é boa a terra que, em se querendo, dar-se-á nela tudo!”.

É verdade!