“Não sou jovem o suficiente para saber tudo” (Oscar Wilde)

Durante a existência aprendemos muito, ensinamos um pouco, ignoramos outro tanto, vamos percorrendo cada ano vivido com mais conhecimento adquirido, muito embora nem sempre com a devida sabedoria. Em nossos primeiros trinta anos de vida – se tanto – conseguimos nos manter atualizados no desenvolvimento de nossas carreiras profissionais, manter em dia o vocabulário e gírias da moda, a par dos acontecimentos mundiais e mais uma infinidade de situações que a velocidade dos fatos e atos do momento nos vão deixando para trás.

Não conseguimos – conscientemente – nos dar conta da defasagem entre o universo dos mais jovens que vem a galope – ou velocidade supersônica, se preferir – e nossa desatualização. Obviamente, com o passar do tempo e o peso dos anos, que nada tem a ver com idade provecta, mas sim com o diferencial de tempo vivido entre gerações, o abismo cresce.

É verdade que a defasagem mencionada varia de pessoa para pessoa, em função de sua escolaridade, inserção no estrato social e interesse individual pelos acontecimentos vários. O computador e seus derivativos, como celulares, tablets, aplicativos, aparelhos de TV inteligentes, livros eletrônicos, acesso a compras pela internet e mais uma infindável alegoria de tecnologias, tem criado uma revolução no comportamento das pessoas distanciando-as ou aproximando-as.

Em termos sociais, não se trata mais de quem tem mais ou tem menos, mas sim de quem sabe e quem não sabe fazer uso das tecnologias colocadas à disposição de todos sem qualquer distinção de classe. A impressão que se tem é que os menos jovens começam a se sentir marginalizados – e até mesmo constrangidos em determinadas situações – como nos terminais de bancos, por exemplo.

Vivemos em uma época de sofisticação tecnológica e tsunamis de informação irreversíveis. Em tempos idos, a avenida de transmissão do conhecimento era de mão única: dos mais velhos para os mais jovens e ponto final. Hoje, com a mão dupla – sem mais essa de exclusividade – pais aprendem com filhos, avôs com os netos, professores com alunos brilhantes.

Maravilha que assim seja, eis que não deixa de ser uma transformação benigna para a aproximação entre as pessoas de sociedades que vem se desintegrando pela violência e omissão. Decifra-me ou te devoro, é o desafio!

Assim, caro leitor, quem sabe possa você me ensinar o muito que ainda não aprendi na vida.

Seja bem-vindo.