Durante algumas décadas, em meados do século passado, um badalado colunista social carioca, talvez o primeiro de tantos que vieram depois, ficou famoso por sua história de sucesso. Ibrahim Sued, esse o seu nome, filho de imigrantes árabes, não vinha de nenhuma linhagem, muito pelo contrário, fez seu caminho abrindo todas as portas com persistência, enfrentando desafios com a garra que lhe era peculiar. Vindo do nada, com escolaridade limitada, determinação incomum, venceu em um ambiente com muitos degraus acima do seu. Uma admirável, guerreira e saudosa figura.

Ibrahim é um dos inúmeros personagens que a vida coloca no circuito e que conseguiram chegar “lá” enfrentando todo tipo de desventuras e preconceitos. E a história, ao longo dos tempos, está repleta de narrativas sobre desbravadores que à custa de muito suor e lágrimas – às vezes até sangue – perseguiram seus ideais e lutaram pela sobrevivência, sem esmorecimento diante das adversidades.

Holambra também tem sua história – belíssima história – que nos remete à saga daquela gente que após enfrentar a destruição e o desalento em sua terra natal, ao fim da segunda guerra mundial, buscaram refúgio e um porvir de esperança nesta que é hoje a terra que nos abriga. Foram 43 anos – desde 1948 – de tentativas de sobrevivência digna, confrontando frustrações, sucessos e desapontamentos, mas com um final feliz. Os pioneiros – assim eram conhecidos – e os brasileiros aportados por aqui, conseguiram domar a terra, fazê-la progredir e, em 1991, emancipá-la – mediante referendo popular – permitindo sua municipalização. Já lá se vão 23 anos desde então e as imagens que ficam – para aqueles que viveram parte dessa história – permanecem indeléveis.

Holambra está de parabéns por ter se tornado uma ilha ainda protegida da violência exacerbada que impera pelo país afora. Pelo seu desenvolvimento ordenado, dentro das possibilidades que o ser humano, com seus anseios, permite. Assim devemos, todos, ser eternamente gratos àqueles que abriram o caminho árduo para que pudéssemos, desde a emancipação, desfrutar do bem-estar que, talvez sequer tenhamos consciência de sua preciosa presença. Um privilégio!

A história de Holambra merece fazer parte do curriculum escolar numa demonstração clara de que elas, as crianças de hoje, desfrutam da oportunidade de viver em uma terra abençoada por obra e graça daqueles que, antes, vieram de muito, muito longe, desprotegidos de tudo que hoje lhes é oferecido.

Aos pioneiros – holandeses e brasileiros – que já nos deixaram e àqueles que conosco ainda convivem, nossa gratidão.