Ainda para poucosViver o essencial expressa um estilo de vida, uma forma peculiar de transitarmos por esta Terra. Quero crer que este pensar, olhar a existência sob esse prisma, vem ganhando adeptos planeta afora. E os simpatizantes dessa que, talvez, possamos considerar uma filosofia de vida, não se restringe ao universo de ambientalistas, conscientes que são, sobre a importância do que é realmente importante.
 
Viver com simplicidade é o objetivo de muita gente que tenta se desapegar do que não precisa para viver bem o dia-a-dia. Mas não tanta gente que possa fazer uma diferença gritante para enfrentar entre o ter e o ser, jargão mais que batido, amassado, estropiado.
 
Como somos todos diferentes, o que é importante para mim pode não ser para você. Óbvio! Além disso, a faixa etária em que nos encontramos tem muito a ver com nossas expectativas e nisso, acredito, os fins se aproximam dos meios não importando muito se você está na casa dos vinte ou dos sessenta (ou mais). A cabeça dos jovens vem mudando – para melhor, a meu ver – encontrando caminhos nada ortodoxos. Os mais avançados no tempo avançam se enquadrando no perfil clássico da idade.
 
Quem tem muito, normalmente esbanja muito, ostenta muito (com exceções) e não raro se vê prisioneiro de suas posses. Os estilos de vida da população norte-americana e japonesa são um exemplo contundente. A sociedade do Tio Sam – quem se lembra da figura? – se debruça na abundância concentrada em território continental, conquistado e expandido na “marra”, produzindo e consumindo quase tudo. A do Sol Nascente, sem bens naturais e espaço exíguo, aprendeu ao longo dos milênios a conviver com clima adverso, a transformar limões em limonadas, a dar valor ao que possui, questionando a aritmética e demonstrando que 1+1=3… Quem teve Nagasaki e Hiroshima visitada por bombas atômicas na segunda guerra mundial conhece de perto o valor das coisas.
 
Por aqui, na terrinha, sem bombas e outros artefatos, temos sido mais catequisados pelos irmãos dos norte que pelos do oriente. O consumo exacerbado e as ilusões criadas pelo marketing competente nos colocam a ferros. Ficamos deslumbrados diante do canto da sereia, sem muita consciência do mundo que nos cerca. Um desperdício que vem custando caro.
 
A miséria e a fome que assolam boa parte do nosso planeta estão a exigir uma reflexão sobre como sobreviver em um mundo onde o muito de tudo que nos foi oferecido de mão beijada começa a escassear. Não vivemos no mundo da fantasia, apesar dos esforços de não poucos que trabalham incessantemente para nos catequizar.
 
Estão ganhando batalhas, mas não a guerra.