Eternos aprendizesEstamos sempre a aprender. Aprendemos por necessidade, vontade própria e até mesmo contra nosso desejo, na marra. Aliás, desde que nascemos tem gente nos ensinando algo que, a eles ou elas, lhes parece útil, mas para nós, necessariamente, não. Enquanto não aprendemos a falar vamos perdendo de goleada, mas à medida que soltamos a língua o jogo começa a virar. É bem verdade que, fazendo birra, quando ainda subjugados pelos grandões, levávamos a pior. Na minha infância, umas palmadas caiam bem… Já na dos meus filhos, nem pensar!
 
 Fomos crescendo – e à guisa de nos educarem- orientados sobre o que fazer e o que não, como se preceitos e costumes fossem universais. Existem regras escritas, bem definidas pelas sociedades ao longo tempo, mas também permanentemente alteradas pelo mesmo tempo, existem aquelas feitas para serem quebradas: as que nunca pegam.   
 
  Reconheçamos que aprender a não aprender é uma virtude. Quando algo nos é imposto – e resolvemos deixar prá lá – o preço a pagar pode ser alto dependendo se dói na pele, no bolso ou na consciência. Se for à pele, um curativo resolve; se no bolso, dependendo de sua conta bancária, ignora-se; atingindo a consciência, depende da cuca de cada um.
 
 Tem-se como fato que aprendizado exige inteligência, talento ou ambos. Para nós, bípedes pensantes, que nem sempre fazemos uso da faculdade (de pensar), o processo é calibrado por aquelas virtudes. Não menos verdade que aptidões podem ser desenvolvidas resultando, muitas vezes, em seres geniais.
 
 Mas não nos esqueçamos dos animais e das crianças, magistrais na arte de ensinar e que nos levam a ver a vida sob outro prisma, enriquecendo-a. Desde que tenhamos olhos para enxergar e não apenas olhar, sensibilidade para sentir e, ainda, atentarmos para nuances que nossa percepção viciada pode não captar.
 
 Os irracionais, sem qualquer formação cultural, constroem seus ninhos e casas, cuidam e alimentam seus filhotes com esmero, protegem-se quando doentes. As crianças, com sua singeleza, pureza de
espírito, sem qualquer juízo formado ou espírito prevenido, dão uma demonstração inequívoca de que o bicho homem, sendo ensinado ao longo da vida, terminou por perder a espontaneidade, o contato saudável entre seus semelhantes e o entendimento com a natureza.
 
 Na verdade, continuamos eternos aprendizes.