A coisa por aqui tá pretaParodiando Chico Buarque, “a coisa por aqui tá preta”. Estamos vivendo dentro de uma bolha de condições adversas construídas por seres ditos inteligentes: nós! “O aquecimento global poderá agravar, significativamente, a pobreza no mundo, ao secar os cultivos agrícolas e ameaçar a segurança alimentar de milhões de pessoas”, adverte o Banco Mundial. E acrescenta, em tom particularmente alarmista: “em três regiões do planeta – América Latina, Oriente Médio e Europa Oriental – o rendimento dos cultivos de soja podem cair de 30% a 70% no Brasil, enquanto metade das plantações de trigo na América Central e na Tunísia pode desaparecer”.

Esta calamitosa situação vem se arrastando desde meados do século passado e tem sido tratada pelos maiores poluidores de nosso habitat – China e Estados Unidos – com desdém. E o Brasil também colabora, contribuindo via desmatamento e desertificação da Amazônia. O aquecimento global nada mais é que a conta enviada pelo planeta como cobrança de ações inconsequentes do homem que vem priorizando razões exclusivamente econômicas, em detrimento da saúde de mais de 7 bilhões de pessoas e suprimento de alimentos para saciar a fome de cerca de 1 bilhão de desnutridos. A ironia dessa situação: o número de obesos é de 1.5 bilhões de pessoas. Logo, 15% da população mundial passam fome e 20% estão obesos.

Os maiores bens que a humanidade teve ao seu dispor – gratuitamente e por séculos, água impoluta e ar puro – se tornaram escassos e artigos de primeira necessidade. Nossos olfatos e paladares já não mais se lembram dos “produtos originais”, imprescindíveis que sempre foram para manutenção da saúde dos bípedes dotados de massa cinzenta e espécies de todas as classes.

Estamos a nos defrontar com uma realidade sombria, qual seja: a de sobreviver neste planeta de solo fertilizado por agroquímicos, água disponibilizada por lenções freáticos e rios contaminados, ar rico em dióxido de carbono. Não há como se culpar apenas governos irresponsáveis onde o ministério mais importante para sua governança é o da Economia, relegando os da Educação e da Saúde à terceira classe.

Somos todos responsáveis pelo que aí está!

Temos sido coniventes com o caos, optado pela omissão junto aos governos e compactuado com a inversão de valores que deveriam levar o ser humano a desfrutar de uma vida mais saudável, de maior bem estar. Governos de potências industriais têm consciência disso e nos exploram. Como há anos, vêm explorando o universo a procura de “bens” que possam mantê-los poderosos no melhor estilo dos navegadores e desbravadores dos séculos XV e XVI.