Um olhar para o futuroCom o desenvolvimento tecnológico das últimas décadas, em todos os segmentos de negócios, tudo que era tratado de forma mais humana, de contato pessoal, olho no olho, passou a ser “virtualizado”.  A impessoalidade passou a assumir papel de protagonista no relacionamento com os clientes. Funcionários envolvidos nas diversas atividades, ao se distanciarem, ficaram mais impessoais chegando a tratar clientes – e aqueles em potencial – até com certa apatia. Tentam cumprir com sua obrigação e ponto final. Em todas as áreas.
 
 Houve um tempo em que ser funcionário de banco dava “status” ao indivíduo, além de ser um emprego bem remunerado e confiável, em termos de estabilidade. A instituição era vista como uma grande oportunidade profissional, sua reputação respeitada, sua imagem imaculada. É bem verdade que banco é banco, seu negócio é ganhar dinheiro usando dinheiro dos clientes e, desde que descobriram, faz tempo, que cobrar para guardar dinheiro alheio e emprestá-lo mediante complicadíssimas operações pouco conhecidas dos meros mortais era – e é – um belíssimo negócio. Basta acompanhar os balanços dos ditos para ficar intrigado ao constatar que – em uma economia esfacelada como a nossa – os lucros das “instituições financeiras” chegam a ser vergonhosos.
 
 No comércio o despreparo de inúmeros atendentes é flagrantemente visível. Nos bancos, você é olhado como um número (sua conta corrente) a menos que seu saldo bancário seja privilegiado e investimentos também. Em realidade, hoje não há mais dúvidas que o cliente de banco trabalha para ele de graça realizando, como se funcionário fora, operações que caberiam às instituições realizá-las. O dito, cliente, se tornou de fato e na realidade um operador de terminais eletrônicos com pouco ou nenhum contato interno. Simplificando a vida, é verdade.  
 
 E sem pretender ser pitonisa, arrisco afirmar que – no caso dos bancos – suas agências estão com os dias contados, fadadas à extinção, e que todas as operações passarão a ser efetuadas virtualmente sem qualquer contato humano. Não me surpreenderia, ainda, se o papel-moeda e os cartões de plástico vierem a ser extintos, também em futuro à vista.
 
 Assim, lamento, não pelo desaparecimento das agências, inexorável, mas pelo distanciamento crescente dos contatos olho no olho, frente a frente, no dia-a-dia de nossas vidas. A desumanização do sistema vai de vento em popa e nós… na proa.