Hipocrisia - Conivência -O marcante episódio, trágico, ocorrido na França semana passada, não deixa dúvidas quanto à intolerância reinante entre seres que se consideram humanos. Desde que o mundo existe, a desumanidade jamais deixou de estar presente sob as mais variadas formas e praticada sob os mais ardilosos argumentos. Os motivos sejam eles de natureza econômica, política, religiosa ou étnica, levam sofrimento a milhões de pessoas inocentes, incapazes de se defenderem, vitimas que são do desvario de mentes perturbadas pela obsessão.
 
A globalização da violência, praticada até em nome de Deus, nos faz crer que somos seres abjetos incapazes de viver e conviver com a harmonia e bem-estar para os quais fomos criados. Em um planeta onde o mais asfixia o menos, sob os olhares complacentes de tantos, o que se vê, lê e assiste é uma verdadeira derrocada de sociedades e instituições. Maior riqueza e poder nas mãos de poucos – insensíveis à desgraça alheia – mas firmes em seus objetivos, doentios, de inculcar valores e forma de viver, estranhos, a culturas distintas das suas; absoluto descaso pelas condições sub-humanas de sobrevivência de milhões da mesma espécie, sem alimento, sem saúde, sem qualquer perspectiva de um futuro alentador; intolerância crescente, com a imposição de princípios e valores sob o manto do terror.
 
A reversão do medo que vem se instalando em todas as sociedades dificilmente será atingida se a hipocrisia continuar reinando com a venda de armas – por países que se dizem democráticos – para países e facções ditatoriais; se a manutenção do poder pela força e conivência com a corrupção, continuar privilegiando grupos minoritários, sustentando a pobreza, estimulando e forçando a migração de milhões de cidadãos; se os países poderosos economicamente – com pele de cordeiro e visando exclusivamente a perpetuação de seu poderio econômico e militar em regiões globais – continuarem apoiando e financiando ações jamais permitidas em casa.
 
Palestinos sem Palestina. Curdos – maior grupo étnico do mundo – sem estado próprio. Síria, Líbia, Afeganistão, Iraque, leste da África, Al-Qaeda, Estado Islâmico, Boko Haram (Nigéria) em ebulição. Por quê?!
 
Estamos todos acuados. Uma nova ordem política e social para valer, que respeite a hegemonia de todos os países, suas fronteiras, costumes, religiosidade, culturas e leis heterogêneas, etnias distintas e conflitos internos, parece ser o caminho para libertar-nos da insegurança em que vivemos e ainda estamos por viver. Há que se reinventar o acatamento pelas ideias e ideais dos semelhantes. Há que se buscar a humildade na razão e na concessão. Ou então… arcaremos com as consequências.