Liberdade com responsabilidadeVivemos, planetariamente, momentos conturbados protagonizados, ironicamente, pela liberdade. Seu sentido é tão amplo que o termo possui, pelo menos, dez extensões. De acordo com a ética, a liberdade está relacionada com responsabilidade, uma vez que qualquer indivíduo tem todo o direito de agir com liberdade, desde que essa atitude não desrespeite ninguém, não passe por cima de princípios éticos e legais.
 
 Depois dos episódios envolvendo o jornal francês Charlie Hebdo, em Paris há duas semanas, mesquitas em diversas cidades foram atacadas no país e fora dele. Na África, muçulmanos incendiaram e destruíram igrejas cristãs em represália ao cartum publicado na edição pós-incidente que causou a morte de 17 pessoas na França. Ação e reação.
 
 Com liberdade para usar sua arma de fogo, mesmo não estando em serviço, um policial militar de Joinville assassinou – por motivo fútil o surfista Ricardo Santos, de 24 anos, em Santa Catarina. Liberdade sem limites.
 
 A Associação de Moradores e Comerciantes do bairro boêmio da Zona Oeste de São Paulo segue preocupada com a chegada do carnaval, época do ano que gera festas sem hora para acabar, barulho excessivo, confusões e até tráfico de drogas. Um dos blocos de rua já colocou à venda na internet camiseta com direito a três “latinhas” por R$ 40. Os residentes da Vila Madalena – sem poder usufruir o direito à liberdade do sossego – solicitaram mudanças no Ministério Público. Não foram atendidos.
 
 As praias de Copacabana e Ipanema, no Rio de Janeiro, famosas no mundo inteiro, infestada por arrastões frequentes, passaram a contar com policiamento reforçado – ostensivamente – usando armamento pesado como fuzis. A antiga liberdade de gozar das delícias do mar, sem preocupações com a segurança, já faz parte dos anais da Cidade Maravilhosa. Liberdade que não volta mais.  
 
Extraídas do noticiário dos últimos dias o teor destas notícias não é novidade. Parece cristalino admitir que o ser humano nunca esteve, e ainda não está, preparado para exercer em sua plenitude um direito que lhe foi concedido gratuitamente. Ao se expressar pela imagem e por palavras, de correr risco de vida violando a lei, de ignorar o bem estar alheio, o homem não faz uso de sua liberdade. Faz uso, sim, de sua arrogância.