Cruzar fronteiras é preciso 1Quase todos nós somos reféns de um sistema que econômica, moral e politicamente condiciona, integra e/ou aliena o indivíduo. Sistema onde a maioria não possui qualquer liberdade de escolha. Ainda que prisioneiros, não são poucos os que procuram usufruir ao máximo das condições que se apresentam, sempre em beneficio próprio e em detrimento dos menos afortunados, vítimas indefesas e inconscientes que são.
 Não fomos convidados a participar dessa sociedade que nos condiciona, integra ou aliena como indivíduos. Fomos, sim, sendo “educados” – sem opção – para conviver e sobreviver em um meio hostil, onde o mito da Esfinge de Tebas – “Decifra-me ou te devoro”- prevalece em todos os sentidos. Certamente há os que – quebrando todos (ou muitos) paradigmas – optam por uma forma de viver em dissonância com as regras – não leis – estabelecidas pelas sociedades.
 Em algum momento da jornada existem os que se dispõem a cruzar fronteiras passando a viver – na acepção da palavra – em consonância com suas crenças e valores. Apesar de bem intencionados e crédulos, muitos nem sempre conseguem arcar com o ônus da mutação, sendo obrigados a se submeter aos rigores do sistema. Outros há, por certo, que abrindo mão das “oferendas” que o dito proporciona, cruzam linhas demarcatórias levando consigo convicções, valores e princípios. Esses, de alguma forma, são aqueles que com o olhar no horizonte das transformações se propõem a viver em um cenário onde economia, moral, política e ética possuem definições pouco palatáveis pelos adeptos do “status quo” vigente.
 Proposta de vida que exige ação, coragem, autoconfiança, determinação. Em um mundo dominado pela incompreensão, revolta, conflitos políticos, étnicos e religiosos, onde o desprezo pela vida humana beira a selvageria, não há como se espelhar nos avestruzes, enfiando a cabeça no buraco cavado pela insensatez.
 O sistema que nos domina e doutrina está falido.
 Mais que fronteiras físicas de países que se abrem para acolher milhões de refugiados em todos os continentes, individualmente temos o livre arbítrio de optar por abrir a nossas (fronteiras) revendo posturas condizentes com a índole herdada. Viver neste planeta – que em nada se assemelha à ilha da fantasia – requer atitudes e reflexão visando encarar realisticamente a responsabilidade que cabe a cada um de nós.