Fique e ajaA Câmara dos Deputados é comandada por uma autoridade imperial. Via decisão monocrática decidiu agraciar seus 513 súditos fiéis e infiéis – além de a si mesmo – com benesses que fariam ruborizar um monge casto. Os ditos, eleitos por uma população politicamente ignorante, além do salário de R$ 33,7 mil têm direito a ajuda de custo, cotão e verba de gabinete para até 25 funcionários. Acrescente-se a estes custos verba para material de escritório, auxílio-moradia para congressistas que não utilizam apartamentos funcionais, passagens aéreas com direito às milhagens, transporte, telefonia e alimentação. Custo anual de cada parlamentar aos cofres públicos: R$ 1.792.164,24.

Mas a conta vai crescer. Sua Excelência determinou que, a partir de agora, fiéis e infiéis terão direito a, também, passagens que poderão ser utilizadas pelo “cônjuge ou companheiro” do parlamentar. Em pleno arrocho para acertar o ajuste fiscal! Enquanto isso, dados do IBGE revelam que a parcela empregada da população nas principais regiões metropolitanas do país caiu ao menor patamar após 2010; a tabela do IR foi reajustada em 4.5% diante de uma inflação de quase 7% ano passado; as estradas federais do Brasil registraram durante a semana 93 bloqueios devido aos protestos de caminhoneiros em um movimento clamando por menores custos com diesel e impostos; e as agências de classificação de risco Moody’s e Fitch rebaixaram todas as notas da Petrobras.

O Brasil precisa, urgentemente, ser revolucionado. Se recursos inexistem para remunerar decentemente professores, pessoal da Saúde e aparelhar policiais que possam reduzir o crescente risco de insegurança no país – em plena e inédita crise econômica – como justificar-se a nababesca vida que levam os “sanguessugas” em Brasília?

A sociedade brasileira, através de seus formadores de opinião – fazendo uso da palavra e não de armas – e a imprensa escrita e falada não comprometida com a casta do Planalto, precisam se manifestar em alto e bom som. Esclarecer a população usando recursos honestos e distintos daqueles tão a gosto do marqueteiro de Brasília – que “operou milagres” na condução da reeleita, rainha sem coroa, ano passado – é tarefa para todos os que prezam este país.

E ficar de olho no desenrolar do “Petrolão”: já na reta final das investigações comenta-se que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá pedir ao STF apenas abertura de inquéritos – e não mais fazer denúncias diretas – contra os políticos suspeitos de participar do esquema de corrupção na Petrobras…

Não precisamos entrar naquela do passado, Brasil: “Ame-o ou deixe-o”. Não! E sim, do Brasil: “Fique e Aja”. A ponderar!