Quem é quemLuiz Inácio Lula da Silva, ex-retirante do nordeste, ex-metalúrgico, ex-líder sindical, ex-deputado federal e ex-presidente da República está na periferia dos acontecimentos nacionais, mas presentíssimo no centro do poder que o Palácio do Planalto abriga.

 O mar não está prá peixe no segundo mandato de sua criatura – herdado dela mesma. A economia beira o desastre absoluto, Petrobras debaixo dos holofotes por razões nada nobres e cenário político que não poderia estar mais indefinido.

 Os desdobramentos da Operação Lava Jato não deverão acrescentar água na fervura, mas, sim, lenha na fogueira. As medidas de saneamento da economia, desagradando gregos e muitos troianos, poderão se somar às instabilidades imprevistas. Entre a cruz e a caldeirinha, o governo morde e assopra tentando demonstrar o que não é, disfarçando ser o que de fato é.

 O chamado governo Dilma-2 não mudou a cara. Mudou o discurso por falta de opção, ainda com 39 ministros – mais ministérios que os dos governos dos Estados Unidos (15) e Alemanha (14)) juntos – se vê obrigado a ajoelhar no milho e a tomar o purgante sendo imposto pelo ministro da Fazenda, visando salvar a pátria.

 O momento é delicado na vida nacional e qualquer fagulha mais próxima do gás inodoro sendo expelido no país, inclusive pelos caminhoneiros bloqueando estradas, pode vir a causar um desastre imprevisível.  Por essas e outras tantas, incabível a explosão de Lula durante ato em defesa da Petrobras, dia 24 passado. O desgaste provocado pelas investigações de corrupção na companhia fez subir sua temperatura.

 Inconformado com reações por parte da sociedade sobre o andar da carruagem, literalmente esbravejou que se preciso for estará pronto para enfrentar os opositores de cabeça erguida. E entornou o caldo com uma infeliz colocação: “também sabemos brigar, sobretudo quando o Stédile – líder do MTST – aqui presente, colocar o exército dele nas ruas”. Boom! O Clube Militar – associação composta por oficiais da reserva – publicou em seu site nota dura em que critica o ex-presidente por seu discurso inclusive chamando-o de “agitador”, acusando-o de incitar a discórdia, repudiando sua declaração.

 Fica a impressão de que o homem que já recebeu prêmios e condecorações em vários países, inclusive Doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra (Portugal) e Politécnica de Lausanne (Suíça) pelo Sciences-Po (Institut d’Etudes Politiques de Paris) e, ainda por aqui, a Grã-Cruz das Ordem do Mérito MilitarOrdem do Mérito Naval e Ordem do Mérito Aeronáutico se permite agir como se estivesse em cima de um caminhão, manchando a imagem de estadista que projetou mundo afora.

Quem é quem?