Não se trata de conflito bélico, de natureza política ou econômica.

Estadode guerra

 Estamos falando de dengue! No Brasil, os casos da doença quase dobraram em relação ao ano passado: já são 67 mil confirmações de dengue – mais da metade na Região Sudeste – a mais rica. A Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde destaca que entre os municípios com as maiores incidências de dengue por estrato populacional Campinas/SP lidera com 602,4 casos/100 mil hab. (população >1 milhão hab.). Em todo o estado de São Paulo já são 5.355 confirmações da doença.

 O combate à epidemia carece de infraestrutura eficiente para tratar de milhares de pacientes que dependem de instituições hospitalares e postos de saúde os quais, em significativo número, estão despreparados para atender a demanda. Com exceções, faltam-lhes desde espaço físico para receber pacientes para consultas e tratamento ambulatorial – e até mesmo de internação – e médicos qualificados que dominem com maestria os protocolos (normas rígidas de procedimento) de conduta nos tratamentos específicos.

 Acompanhando minha mulher em consulta e tratamento com médico em instituição de ponta, senti a realidade na pele e ouvi do dito: “Estamos em estado de guerra”! E não é para menos. Em sua “casa”, que recebe apenas portadores da doença conveniados com planos de saúde pagos, pacientes, sem exceção, são obrigados a esperar cerca oito horas, em média, por uma consulta, receber soro e aguardar o resultado de hemograma visando diagnóstico e controle.

 Descaso? Incompetência? Não! Em um estado de guerra convencional a infraestrutura médica nos campos de batalha para atender feridos em combate, por mais bem equipada que seja, fica dependente do número a ser atendido em determinado espaço de tempo. E é exatamente isso que está ocorrendo agora quando o país enfrenta uma verdadeira epidemia. Os números divulgados pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde não deixam margem a dúvida.

 Ao Estado compete – com diligência – criar condições de atendimento aos mais necessitados disponibilizando até mesmo através de hospitais de campanha, macas, soro e laboratórios móveis para realização de hemogramas, os mais solicitados nesses casos. O estado é de guerra!

 Se a população com poder aquisitivo para pagar planos de saúde enfrenta o tratamento mencionado acima, imagine-se o que não está sofrendo por esse Brasil afora – o do “mais médicos” – a população carente.

 Além de um ajuste fiscal em sua combalida economia, este país carece, também, de ajuste – urgente – na saúde de sua Saúde.