Em tempos de conturbação social, política e econômica mundo afora, a semana santa que ora se inicia poderia servir de reflexão para membros da comunidade cristã – que interagem com outras religiões na busca de um caminho de sobrevivência pacífica entre todos os povos. Afinal, doutrinas pregam o bem – e perseguem a paz em suas comunidades – apesar de, em nome de seus ícones, muitas exercitarem a violência na tentativa de manter sua hegemonia.

Pessach

 Leigo em assuntos teológicos, sempre fui um curioso em conhecer um pouco mais dos mistérios que cercam a origem e o destino da humanidade. Acredito, no caso de religiões, que estas sejam criação do próprio homem, que por razões distintas em suas origens, mas com objetivos finais definidos, pretenderam atender a necessidades de um momento e justificar ações nem sempre condizentes com o respeito e a misericórdia para com o outro.

 O ser humano precisa crer. Faz parte de seu equilíbrio emocional acreditar, seja lá no que for, para tentar desvendar mistérios que o cercam por toda a vida. Até acreditar em nada é uma crença! Respostas para todos os por quês, para as injustiças cometidas por seus semelhantes em nome de sentimentos mesquinhos, para as diferenças de comportamento e respeito em relação àqueles que não se apresentam com a mesma cor da pele, para a covardia praticada em nome de algo julgado Superior, permanecem na obscuridade de nosso ser. O escudo da religião é, não raro, usado como proteção para atos elogiáveis e nem tanto. É como se transferíssemos a responsabilidade por eles (atos) para Alguém que nos guia.

Páscoa Cristã é a festividade mais importante para os cristãos. Páscoa tem origem no termo hebraico Pessach e significa “passagem”.  Passagem da sombra para a luz, da morte para a vida, de uma vida amorfa para uma vida de significado e coerência. O “Domingo de Páscoa” celebra a Ressurreição de Jesus Cristo. Momento compartilhado apenas por parte da humanidade sobrevivente neste planeta que se exaure por crenças ou falta delas. Talvez devêssemos todos, cristãos ou não, seres humanos que somos semelhantes em nossa “arquitetura”, ponderar sobre nossa finitude. Respeitar nosso destino que é o ponto final de uma existência cheia de dúvidas e incoerências. 

 Enquanto vivos, quem sabe, lembrarmo-nos de mais uma frase de profunda coerência daquele que foi um mártir em prol de uma causa: “Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos”. (Martin Luther King)

 Feliz Passagem!