Holambra: amor à primeira vista.

Duas décadas e meia depois, momentos que não voltam mais, que deixam saudades, se oferecem vivos como recordações para reflexões sobre tudo que se foi e ainda está por vir. Era o início da primavera em festa, e em um lugar ainda bucólico, campestre, o cenário contrastava com o conhecido, a quilômetros dali. E lá estava ela. Como encontros nem sempre são planejados, aquele fora encomendado pelo acaso. Com uma simplicidade cativante, aparência impossível de passar despercebida, imagem para se guardar na memória. Difícil resistir à tentação de propor-lhe uma “juntada de trapos” para todo o sempre. Mas ela era para poucos.

Bodas de Prata1

Recatada, mantinha distância de pretendentes protegendo-se de desconhecidos. Mas já ouvira falar dela, sabia seu nome e um tanto sobre seu passado e sua história. Decidido a aventurar-me na conquista e com a maior cara de pau, apresentei-me à família propondo a união dos trapos. Certamente não era o primeiro a tentar conquistar aquele coração. E enfrentei a família meio desconfiada de minhas intenções.

Mas paixão é paixão e quem ama vai até as últimas consequências. Vencida a desconfiança inicial parti para o casório, de mala e cuia. E desde então, temos vivido felizes, com entreveros aqui ali, como seria de se esperar, acompanhando os novos tempos com otimismo e esperança pautados por um mundo em ebulição.

Minha eleita: Holambra! Ano: 1990!

Não vivi a época do lampião a gás, mas, sim, aquela das ruas de terra e sem luz, telefone precário para poucos, do iogurte da senhora Hendrika Domhof, da molecada que passava pelo nosso terreno antes das sete da manhã para pegar o ônibus para escola, do pombal em nosso “correio” no Goedkope, do Sacrifício em sua charrete indo para a igreja, do amigão engenheiro Jairo Schmidt que morava na vizinha senhora Rosa Jacobsen e praticava saxofone à noite, preocupadíssimo em não incomodar, do posto do Ronaldo com apenas duas bombas ao ar livre, da vida em comunidade que mantinha a cidade miraculosamente limpa, sem lixeiros. E tanto mais.

Celebramos este ano Bodas de Prata com nossa Holambra – que tão acolhedora nos recebeu há 25 anos. Orgulho-me de ter participado – com satisfação e alegria – de seu nascimento como município, privilégio de ter convivido com aguerridos pioneiros desta terra abençoada e, de alguma forma, haver contribuído, juntamente com minha mulher Beatris, para desbravar um caminho de erros e acertos que se traduziram no que é Holambra hoje.

Aos que estiveram conosco durante essa longa jornada, nosso caloroso muito obrigado pela companhia. Aos anfitriões, “heel hartelijk bedankt” pela acolhida!