Com a economia brasileira fora dos eixos, o governo “pediu emprestado” ao pensamento oposicionista a fórmula para colocar a casa em ordem. O ministro da Fazenda do governo petista, Joaquim Levy, eleitor confesso do candidato tucano à presidência da República, está cumprindo – até o momento – seu papel com louvor econômico. Não se fala em outra coisa que não seja ajuste fiscal, aumento de impostos, alinhamento de preços para corrigir os desvarios do governo Dilma 1, com a conta sendo enviada para quem está do outro lado do balcão, ou seja, você, eu e milhões de brasileiros (exceto os bolsistas, naturalmente). 

 Não se observa, no entanto, na esfera governamental, qualquer movimento que possa contribuir para o saneamento da economia. Muito pelo contrário. O número de ministérios permanece em 38, simplesmente 23 a mais que o do governo dos Estados Unidos (15). Só perdemos para o Gabão que possui… 40. O “é dando que se recebe”, lá em Brasília, deixaria São Francisco ruborizado; para domesticar políticos de diversas tendências, o Dilma 2 aprovou a triplicação dos recursos destinados ao fundo partidário – uma das principais fontes de receita dos partidos políticos. O caboclo coçando a cabeça fica sem entender nada, eis que o projeto original do governo contemplava R$ 289 milhões para o fundo, valor que foi elevado – com toda a crise fora de Brasília – para R$ 867 milhões. A despesa vai cair na nossa conta, a exemplo da de luz, combustíveis, medicamentos, pão, leite e por aí vai.

 Enquanto isso, a crise econômica – que passa ao largo do congresso nacional – assiste deputados e senadores desfrutarem de mordomias só conhecidas em países com vocação pouco democrática. E o exemplo vem de cima onde o presidente da Câmara dos Deputados mora em uma casa (do governo) de 800 m2 na região conhecida como Lago Sul, uma das mais nobres de Brasília, com todas as despesas pagas, carro da “firma” com dois motoristas, jatos com piloto à disposição para viagens a trabalho ou para voltar para casa e R$ 4,2 milhões por ano para distribuir a um séquito de até 47 funcionários inclusive cozinheiro, copeiro, mordomo, segurança e jardineiro.Dois pesos e duas medidas

 E aí, Dr. Joaquim Levy, como ficamos? Onde se encontra escondida a austeridade propalada? Até quando a população trabalhadora continuará – pacificamente – dando seu sangue suor e lágrimas em longas jornadas de trabalho e os empresários a fazerem investimentos de risco neste país incerto? Já lá se vão quatro meses e a contribuição do governo para os ajustes continuam como sua atuação: pífia. A batata está assando!