“A política é quase tão excitante como a guerra – não menos perigosa. Na guerra, a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.” A frase, cunhada por Sir Winston Churchill quando primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, cai como uma luva no universo político brasileiro....e a história continua 1

 Descartando aqueles que já se foram desta para melhor, é grande o número de políticos que já morreram, renasceram, ressuscitaram e poderiam até estar embalsamados hoje, pela longevidade na vida política. Assim, convivamos com o que aí está: homens e mulheres eleitos por nós, que na entressafra de eleições agem mais em benefício próprio – com ranço corporativista – desdenhando da sociedade que hoje padece de uma política econômica irresponsável do governo anterior. Um governo capaz de deixar o país à deriva economicamente, traindo sua ideologia de berço ao melhor estilo de Judas Iscariotes.

 Assistimos à tentativa de reconstrução de uma nação desacreditada no exterior, com sua maior empresa saqueada sem qualquer pudor para atender anseios políticos de perpetuação no poder e ainda insistindo no uso de práticas contábeis condenadas. A Petrobras, agora, através de manobra contábil, criticada por especialistas, inflou em R$ 1,3 bilhão seu lucro no primeiro trimestre deste ano… Credibilidade pelo ralo!

 Enquanto a população começa a sofrer os efeitos devastadores do desgoverno que ora continua, o país deverá amargar – por pelo menos um ano – desemprego elevado, crédito escasso, retração econômica contundente, inflação alta corroendo salários, principalmente dos mais vulneráveis.

 O governo travestido, acuado pelo Congresso Nacional em suas propostas de ajuste fiscal, procura sobreviver negociando cargos no segundo escalão como se mercadorias fossem. Ideologia partidária e comprometimento com o debate de ideias visando futuro bem-estar do país são excretados sem qualquer cerimônia.  Um desânimo para os que acreditam que a democracia seja uma realidade neste país. Não é!

 Democracia é definida pelo Houaiss (dicionário) como “governo no qual o povo toma decisões importantes a respeito das políticas públicas, não de forma ocasional ou circunstancial, mas segundo princípios permanentes de legalidade”. Cristalino!

 E como nos lembra, em profunda reflexão, o escritor português galardoado com o Nobel de Literatura em 1988 – José Saramago: “O grande problema do nosso sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente”. Touché!

 Quem sabe, depois de passada a tormenta, possa nossa gente deixar para trás a memória curta e abrir novos horizontes com a afirmação de seus direitos.